quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O cão indigente

Você que irá ler esta história: Se estiver com o tempo curto, não leia. Pois além de ser relativamente longa, ela necessita de uma atenção especial. Tenha sensibilidade e mente aberta. Porque você não está acostumado a ver um amor gratuito por algo que nem ao menos é da sua espécie; não te faz sorrir; não fala com você; não te ouve; não te beija; não resolve seus problemas; e nem ao menos teve o privilégio de te conhecer... Em vida. A história pode ser verídica... E pode não ser. Depende do que você está acostumado a acreditar.


~ ~  ° ~ ~

Minha vida era normal
Os caminhos até minha casa eram os mesmos
No ônibus via as mesmas paisagens
E sempre os mesmos sentimentos


Mas um dia ele apareceu e eu o conheci
Do pior jeito que se poderia conhecer alguém
Mas ele existia e estava lá
No entanto não era mais ninguém


O cão estava naquela curva
Com a barriga aberta e o pescoço quebrado
Seu sangue era preto no asfalto escuro
E o pelo caramelo todo ensanguentado


Minha reação foi de choque
Não esperava ver aquele ser torto
Meus olhos arregalados não o trouxeram de volta
Porque lá ele continuou solitário e morto


No segundo dia nem lembrava mais dele
Mas infelizmente sentei do lado esquerdo
E na triste fatídica curva...
De novo congelei de medo


—Por que ninguém o tira de lá?
Só por ser quadrúpede e não saber falar?
É por não ter CPF ou RG?
Isso é motivo para ninguém se importar?


Mas os carros passavam por cima dele
E contribuiam para seu desaparecimento
As mães fechavam os olhos dos filhos
Mas pelo animal não nutriam sentimento


Será que só eu me importo com ele, afinal?
O dia inteiro ele ficava na minha mente
No terceiro dia ele estava mais abaixado
E cada vez mais fazia parte do ambiente


No quarto dia eu sentei do lado direito
Mas de longe a curva eu avistei
Rápido, levantei e mudei de lugar
—Meu Deus, será que eu pirei?


Eu odiava ver o pobre ser daquele jeito
Mas sentia um prazer em ver aquele cão...
Eram os 3 segundos que completavam meu dia
Eu me sentia deveras sem coração


Depois entendi o porque de tudo isso
Não era prazer que eu sentia, era comoção
Por ele não se podia fazer mais nada
Além da singela homenagem de olhar sua putrefação


Era absurdo como o cadáver fora exposto
O mais íntimo e último que ele poderia oferecer
Ninguém dava o devido valor, no que era
Só para a terra ter o privilégio de ver


Às vezes penso: será que não nos vimos por ai?
Numa esquina qualquer ou algum cantinho
Talvez eu tenha assoviado para você
Será que abanou o rabo ou seguiu seu caminho?


Eu sei que você não queria morrer
Por que estava naquela curva naquele momento?
Queria que estivesses a salvo em teu lar
Por que estava sozinho, atravessando a rua ao relento?


Pobre cão, ninguém quer saber quem fostes
Nem mesmo se tivesses sido a Lessie
Nem tua própria mãe importa-se contigo
Só pariu-te por instinto de prolongar a espécie


Meu querido animalzinho
Por que mexeu tanto com minha cabeça?
Por que amar algo que nem existe mais?
Mesmo que você de fato mereça


Mas saibas que eu te amo
Mesmo sem tê-lo visto vivo
Quero muito que agora estejas feliz
No lugar por onde tenha partido


Queria ter te salvado na hora
Gritado e chamado sua atenção
Mas será que gostavas de sua vida?
Vida triste e miserável de cão?


Mas você some cada dia mais
E agora já estais no nível do chão
O que mais posso eu fazer por ti?
Além de observar sua decomposição?


Quando só restavam alguns pêlos no asfalto
Como um tapete velho, sujo e rasgado
Veio uma tempestade e o levou embora
—Como meu bicho fora maltratado!


Como posso viver sem ti?
Já fazias parte da minha vida
Agora o desespero me aflige
Minha calma foi com sua partida


Se eras macho ou fêmea eu não sei
Só sei que a vida é uma tremenda loucura
Num momento estais intensamente vivo
Mas a morte é uma doença sem cura


Desde o sangue escorrendo no asfalto cinza
Até a sutil mancha negra que nele restou
Eu o observei, eu o pensei, eu o rezei
Mas não sei se de fato algo adiantou


Agora não tem nada mais naquela curva
E ninguém se lembra do cão que não fez história
Ele pode até ter ido com a chuva
Mas ficará para sempre em minha memória.



Nikk Lopes.

domingo, 7 de novembro de 2010

Uma relez demótica epístola vil e banal

Não é que eu seja rebelde
Também não é que eu seja libertina
Eu só queria que você entendesse
Que isso não é ser vulgar
É só não tentar se adequar

Nenhuma doutrina me agrada
Seus princípios não me atingem
Eu faço o que meu corpo pede
Não ligo para valores criados pelos humanos
Mesmo que isso não me faça durar tantos anos

Esse tal de bom-senso não me pega mais
O importante é obter a felicidade a qualquer custo
A felicidade pura, não caprichos para estufar vaidades
Viver é uma tremenda piada sem graça
Quem sabe viver é que goza dessa desgraça

Desculpa se isso te incomoda, mas...
Eu fumo, eu bebo e eu transo
E isso não me deixa com remorso
Pelo contrário, eu preciso sentir na pele
O gosto do pecado e dos prazeres carnais
Felicidade instantânea, verdadeira e fugaz

Porque a estada é curta
E pela eternidade viveremos no nada
Por isso é preciso aproveitar o tudo
Não é certo que exista vida após a morte
Você foi um espermatozóide premiado
Aproveite a sorte.


Bruna de Souza Magalhães

domingo, 31 de outubro de 2010

Falando em revolução...

Dilma Rousseff

Primeira mulher presidenta do Brasil!

E eu contrubui para isso

E fiz toda a minha família contribuir também.

Orgulho para tod@s nós feministas!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Forme sua opnião:


























Engraçadinho, né?! Mas vamos pensar um pouco...
Achei esta tirinha um tanto quanto curiosa. Em todos os sites que eu vi, estava como "tirinha feminista". Mas de longe dá para ver que é sexista. Mas tem algo curioso nela. Ela é FEMISTA e MACHISTA, ao mesmo tempo! Porque enquanto tem um lado que insinua que seria perfeito um homem com um lado feminino, no caso o cérebro, por outro lado, enigmaticamente, insinua que quem "não tem cérebro" na verdade são as mulheres (ou, pelo menos, esta mulher da tirinha). Porque é ela, e não ele quem não sabe nem o que é um hermafrodita. Pelo menos, entre os dois personagens dalí, quem aparenta não ter cérebro é ela, em desconhecer uma simples informação que se aprende nas aulas de biologia da 1ª série (ensino médio). Nesta tirinha, o homem parece ser mais inteligente que ela. Taí a contradição.

sábado, 23 de outubro de 2010

Mulher Brasileira


























Ontem eu estava saindo de casa para levar meu irmão na escola, era 12:50 hrs. Quando eu sai na rua, vi uma mulher nova (devia ter uns vinte e poucos anos) com duas crianças pequenas, de no máximo 5 anos. Ela estava indo com as crianças em direção a um bar que fica quase do lado da minha casa. Quando ela chegou em frente, começou a gritar para um homem que estava lá dentro. Ela gritava coisas do tipo: "Seu traste! Você tem essa porra dessa moto, mas não presta nem pra levar seus filhos na creche!..." O que ele falava não dava para compreender, porque ele falava muito baixo. Mas imagino que nessa hora ele falou que deu dinheiro para ela ir levá-los. E ela retrucou: "Você só me deu 2 reais! Eu preciso ir e voltar, e você só me deu 2 reais! Eu vou voltar a pé por acaso?! Você só sabe gastar seu dinheiro no bar, com pinga!" Ele falou mais alguma coisa, e ela continou: "Você só sabe me bater!..." E essa foi a parte que mais me chamou a atenção, de todas as coisas inconformantes que eu ouvi naquela hora, porque além de tudo, ele ainda batia nela! Absurdo. Mas, depois que ela falou este último, eu virei a esquina e não ouvi mais nada.

Mas afinal, quem está errado? O homem por ser um traste imprestável e vagabundo (e isso é fato). Ou a mulher, por ter escolhido este traste imprestável e vagabundo para ter filhos?

Me admirou a mulher ser tão nova. E já com essa perspectiva de vida. Já com um marido desse. Não que chegue uma hora na vida que uma mulher tem que ter um cara assim. Mas ela tem opção (todas temos, mas no caso dela é bem mais fácil) porque tem uma vida toda pela frente. É bonita, enfim... Quando vejo uma pessoa assim, eu logo sinto que ela não está vivendo, está sobrevivendo. Só seu coração bate. Felicidade? Não sabe o que é. Ou não encontra com ela há muito tempo, que nem se lembra do gosto. Mas também admirei com a coragem dela de gritar no meio da rua o que a estava incomodando, o que ela achava (com razão) que não estava certo.

Hoje eu penso que a culpa não é de nenhum dos dois. A culpa é do conformismo e da má educação que ambos receberam. Se a moça tivesse aprendido a ser independente, ela não arrumaria qualquer traste para sustentá-la e maltratá-la. Ela buscaria a auto-sustentabilidade, casaria por amor, e só teria filhos quando estivesse madura o suficiente e achasse que realmente chegara a hora. E se o "traste imprestável" tivesse recebido uma boa educação, de respeitar as mulheres, no geral o ser humano... Aprendido a ser independente também (porque quando alguns homens casam, as esposas tornam-se suas mães). Aprendido que ficar de bar em bar, enchendo a cara de cachaça não leva a nada... Talvez essa história teria sido bem diferente. E aquela mulher não teria precisado gritar aquilo tudo. Mas infelizmente, essa mulher existe (assim como outras milhões neste país) e ela continua lá, em sua casa, sendo maltratada e humilhada.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Aquela Garotinha

Não sou mais aquela criança
Aquela menininha toda carente
Que fazia a opnião baseada
no que ouvia dos parentes.
Pais, irmãos, tios e primas:
Faziam as idéias na minha mente.

Mas agora eu cresci
Eu sei o que devo fazer
E o que devo falar

Eu sei que nem sempre deve-se ter educação,
como papai e mamãe sempre ensinaram
Eu sei quando devo ter e quando não.
Eu sei que não preciso ser normal, se eu não quiser
(pra mim seria uma tortura)
Porque ser normal é normal, mas às vezes
pode ser loucura.

Eu sei que tenho minhas escolhas,
e que dessas virão as consequencias.
E que nessas horas estarei sozinha,
porque eu que escolho minha sentença.

Eu sei que agora eu não dependo mais deles.
Eu faço meu próprio caminho
Não sou mais aquela garotinha
Que pelos cantos chorava baixinho

Agora tirando as idéias do próprio senso crítico
Sou realista, e do futuro eu tenho visão.
Mas sem desacreditar no mundo mítico
Sempre pra frente, influenciando, fazendo revolução!



Bruna de Souza magalhães

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Homofobia e a natureza humana

Homo=igual
Fobia=medo










A homofobia não necessariamente seria medo dos homossexuais. Mas sim o ódio e a hostilidade contra eles. Alguns dizem que na verdade eles têm medo deles próprios serem homosexuais. Daí surge a averssão contra os que se assumem.

Recentemente, surgiu um termo para descrever uma atitude mental que primeiro categoriza para depois injustamente etiquetar como inferior um conjunto de cidadãos, assim como fazem o racismo e o sexismo: este é o heterossexismo. O heterossexismo está institucionado em nossas leis, órgãos de comunidade social, religiões e etc. Nesta tentativa de impor a heterossexualidade como superior ou como única forma de sexualidade, estão violando os direitos humanos.

Os seres humanos vivem dizendo que algo é "natural". Por exemplo: O homem foi feito para ter relações com mulheres e vice-versa. E quando eles dizem isso, eles automaticamente opõem-se a um comportamento "adquirido", tendo repulsa a estes e ensinando a todos que é "anormal". Mas veja bem, quem somos nós, reles seres humanos, para dizer o que é normal ou natural ou não?

Outra coisa que nós, seres humanos, vivemos dizendo, é que nós "começamos" muitas coisas nesse mundo. Por exemplo: Que a homossexualidade fomos nós que inventamos. Deste modo, argumenta-se que a "mãe natureza" criou-nos para sermos heterossexuais, mas que o ser humano, muito perverso, vai contra isso. Mas não, não fomos nós que criamos. Existem cães gays. E se existem outros animais que podem ser gays, dos seres humanos, então é uma coisa da natureza. Logo, é sim algo "natural". E de escolha própria.

No passado, denominava-se a idéia de que os homens eram "naturalmente" melhores na ciência, no esporte e que eram líderes natos. Mas as mulheres desafiaram essa idéia e provaram, numa perspectiva totalmente diferente, que homens e mulheres são iguais. E então começou-se a evidenciar que os homens são empurrados para posições de vantagem por uma sociedade que está estruturada para os beneficiar. Este processo mais tarde chamou-se sexismo.

Então, antes de encher o peito com seu orgulho hetero e dizer que a homossexualidade é uma pouca vergonha, lembre-se que a cada 4 minutos, uma mulher é agredida em seu próprio lar, por uma pessoa com quem mantém uma relação de afeto (marido, namorado, etc). Mas que afeto é esse que mata, que agride? Que heterossexualidade tão superior é essa? Ou lembre-se que em algum momento de suas vidas, metade das latino-americanas é vítima de alguma violência. Você não acha que isso sim é uma pouca vergonha?

Não sou contra nenhuma sexualidade. Acho que cada um escolhe o que é melhor para si. Mas eu não me conformo em ver essas estatísticas de violência, e saber que são entre homem e mulher. A maioria das pessoas escolhem ser heterossexuais muitas vezes por sua persuasão, coerção ou ameaça de hostilização da sociedade. Mas nesses casos, é preciso procurar alguém a quem realmente amamos. Não pelo seu sexo. Mas pelo modo com que nos trata.




Bruna de Souza Magalhães

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Destruindo o invisível

O machismo. Invisível porque nós nos contradizemos o tempo todo. Mesmo as pessoas que se dizem feministas ou não. Porque tem algumas coisas que estão automáticas na nossa mente. Como por exemplo: Quando vês uma guria pegando geral, o pensamento automático é que a menina é uma vadia. Já se vissem um homem... O pensamento, por mais próximo que fosse da primeira situação, seria diferente. E é nessa diferença que erramos. Não pode haver diferença. Cortemos essa diferença. Pois ela é invisível, mas não imperceptível. Mas para percebermos, é preciso prestar bastante atenção.

O machismo está encrustado em todo lugar.
Está enrustido nas nossas palavras.
Está escondido no nosso cotidiano.



Como destruir algo que não vemos?



Preste atenção, pois ele está nas suas palavras e nas suas atitudes, sem que percebas.

Mobilize-se e junte-se a nós!



♀ REVOLUÇÃO FEMINISTA ♀

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Complicadas? Nós?

TIPOS DE HOMENS:
- Caras legais são feios
- Caras bonitos não são legais
- Caras bonitos e legais são gays
- Caras bonitos, legais e heteros, são casados
- Caras não tão bonitos mas legais não tem dinheiro
- Caras não tão bonitos mas legais e com dinheiro, acham que só estamos atras do dinheiro.
- Caras bonitos e sem dinheiro estão de olho no nosso dinheiro. - Caras bonitos, não tão legais e razoavelmente heteros não acham que somos bonitas o bastante
- Caras que nos acham bonitas, que são razoavelmente legais e que tem dinheiro são uns galinhas.
- Caras que são razoavelmente bonitos, razoavelmente legais e que tem algum dinheiro são tímidos e não tomam iniciativa
- Caras que nunca tomam a iniciativa perdem automaticamente o interesse quando nós tomamos.
- Caras que sempre tomam a iniciativa, nos matam de medo
- Caras que tomam a iniciativa e recebem um sim nos chamam de galinhas
- Caras que tomam a iniciativa, recebem um não desistem e vão tomar a iniciativa em outro lugar e falam ainda que fazemos doce
- Caras que tomam a iniciativa, recebem um talvez, entendem como sim e nos chamam de galinhas do mesmo jeito.
- Caras que recebem um sim e não nos chamam de galinha, tem uma mãe de amargar
- Caras que escondem que são casados tem muito pouco tempo disponível.
- Caras que escondem que são gays usam nossas roupas
- Caras que não costumam esconder nada, são razoavelmente legais, razoavelmente heteros e tem algum dinheiro perdem o mistério, sei lá.... A magia desaparece. Perde a graça.


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Piadinha Femista.
Quando Deus criou Adão e Eva, disse aos dois:


Tenho dois presentes para distribuir entre vocês: um é para fazer xixi em pé e... Adão, ansiosíssimo, interrompeu, gritando:


- Eu! Eu! Eu! Eu! Eu quero, por favor... Senhor, por favor, por favor, Sim? Me facilitaria a vida substancialmente! Por favor! Por favor! Por Favor!


Eva concordou e disse que essas coisas não tinham importância para ela. Então, Deus presenteou Adão. Adão ficou maravilhado. Gritava de alegria, corria pelo jardim do Éden fazendo xixi em todas as árvores. Correu pela praia fazendo desenhos com seu xixi na areia. Brincava de chafariz. Acendia uma fogueirinha e brincava de bombeiro...


Deus e Eva contemplavam o homem louco de felicidade, até que Eva perguntou a Deus:- E... Qual é o outro presente? Deus respondeu:


- Cérebro, Eva, cérebro.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Conto de Fadas da mulher do século XXI

Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa, independente e cheia de auto-estima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, deparou-se com uma rã. Então, a rã pulou para o seu colo e disse: "Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Mas, uma bruxa má lançou-me um encanto e transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir um lar feliz no teu lindo castelo.
A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre..."


E então, naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava: "Nem fo...den...do!".



(Luís Fernando Veríssimo)

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O sangue derramado

Quando é de uma mulher maltratada....
...A ferida é de todos



♀ REVOLUÇÃO FEMINISTA ♀

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Como funciona:



Pare com o preconceito e a inferiorização da mulher!


♀ REVOLUÇÃO FEMINISTA ♀

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Não se deixe enganar!



Enquanto você o ama... Ele retribui ou age como se fosse teu amo?

Liberte-se e junte-se a nós.


♀ REVOLUÇÃO FEMINISTA ♀

domingo, 3 de outubro de 2010

Um grande dia!

Hoje é dia 03 de outubro de 2010. Dia de votação! Hoje é o 1° turno das eleições para os cargos de deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente. Este ano, todos podem votar, exceto pessoas abaixo de 16 anos. Até os presidiários terão direito de voto.

Isso me lembrou que há 79 anos, foi criado um novo Código Eleitoral, no qual algumas mulheres podiam votar (as solteiras ou viúvas que comprovassem renda própria; ou as casadas, mas somente com a permissão do marido). Mas nós não nos contentamos, e com a pressão feminista quanto às restrições, o governo de Getúlio Vargas ampliou o direito ao voto a todas as mulheres: em 24 de fevereiro de 1932 foi promulgado o Código Eleitoral que igualava a mulher aos homens quanto ao voto: o eleitor era descrito no código como "o cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo...".



Tenho orgulho de viver em uma época em que mulheres e homens são iguais perante a lei. Orgulho da Revolução que minhas antecessoras impuseram. Que muitas outras revoluções sejam feitas! Então, você que está lendo isso, ide à sua zona eleitoral e faça com orgulho o uso do seu direito como cidadão e cidadã! Direito este que lhe foi concebido com muita luta. Usai de tua cidadania, de tua democracia. Lembra-te que há pouco mais de 79 anos, vois não tinhas este direito.Votemos pensando no futuro. Votemos com sabedoria. O poder está em nossas mãos.






 - Heloísa Vasconcelos

sábado, 2 de outubro de 2010

Violência Doméstica


Não se engane. Ele não te quer.
Liberte-se e junte-se a nós.


♀ REVOLUÇÃO FEMINISTA ♀

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Ofuscada nas sombras da História

Estudiosos afirmam que obras de William Shakespeare podem ter sido escritas por uma mulher. Isso mesmo, a autora judia Amelia Bassano Lanier escreveu e não recebeu mérito algum. Os estudiosos querem tirar esta mulher genial - E como ela, mais haverão com certeza!- das sombras da história da literatura. Justiça seja feita!


Leia esta coluna do Jornal Público, de Portugal:


Mulher judia pode ter escrito obra de William Shakespeare

Um estudioso da obra de William Shakespeare defende que quem escreveu a obra do dramaturgo britânico foi uma mulher judia chamada Amelia Bassano Lanier, escreveu ontem o diário israelita Haaretz. E embora John Hudson não seja o primeiro a questionar se o autor realmente escreveu toda a obra que se conhece até hoje, é o único a sugerir que Lanier foi quem escreveu as inúmeras peças e sonetos de Shakespeare.
Lanier era de origem italiana e até hoje era conhecida por ter sido a primeira mulher a publicar um livro de poemas, o Salve Deus Rex Judaeorum em 1611. Hudson baseia a sua teoria no estudo da vida de Lanier, que, defende, coincide muito melhor do que a vida de Shakespeare nos conteúdos da obra "shakespeariana".
O estudioso britânico, formado em Sociologia e Antropologia, identificou semelhanças técnicas entre a linguagem usada nos poemas conhecidos de Lanier e a usada nos versos de Shakespeare. Encontrou pistas nos textos - alegorias judias e as muitas vezes que os heterónimos de Lanier aparecem nas peças - e concluiu que só deve ter sido esta mulher a escrever a obra da Shakespeare.





- Heloísa Vasconcelos.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Contos: Riot Girl - A Filha de Lilith [pt 5]

A Vida Não é Bela


“Nossa, Joana. Você é foda!” Disse Stephany ao telefone, empolgada.
“Ah, sei lá. Posso até ser... Mas porque então me sinto tão suja?” Disse Joana intrigada.
“Amiga, vamos combinar: O que você fez foi sujo.” As duas riem “Muito sujo. Mas foi foda. Eu não sei se teria coragem de fazer isso. Mas admiro muito sua coragem. O professor Daniel é realmente muito gostoso”
“É... Eu só fiz o que senti vontade na hora. Não pensei no que as pessoas pensariam de mim, ou o que eu pensaria de mim mesma.”
“Mas você não tem que pensar nessas coisas mesmo. Você tem que ser feliz. Sem pensar no que as pessoas falarão de você. Joana, as pessoas são podres, adoram julgar”
“Na teoria é bem fácil. Mas na prática, não me sinto nada feliz. E outra... Quando eu cheguei em casa, achei que veria minha mãe brigando comigo, se importando comigo. E ela tinha viajado com o namorado dela. Só volta amanhã.”
“Você é estranha, menina.” Disse Stephany “Você evita que sua mãe te dê uma surra por tudo o que você fez naquela escola, e fica triste por isso?!”
“Por tudo o que eu fiz naquela escola?? Você só pode estar louca. Eu achava que ela fosse me bater por eu ter passado a noite fora. Se ela soubesse de algum modo que eu dei para aquele garoto na festa e pro professor Daniel no outro dia, em plena sala de aula... Eu to morta. Sério, Stephany. MOR-TA. No mínimo ela me expulsaria de casa. Sério.”

Ela percebe que seu padrasto está à porta.

“Tenho que desligar, Steh.” Disse Joana olhado para ele.
“Ta. Depois eu vou aí na sua casa. Tenho que limpar meu quarto ainda.”
“Ta bom. Beijo. Tchau” Disse Joana desligando o telefone.
“Há quanto tempo está ai?” Agora para o padrasto.
“Tempo suficiente” Disse ele entrando no quarto
“Você e a mamãe não chegariam só amanhã?”
“Sua mãe ficou por lá. Eu estava meio entediado, e quis voltar. Ela encontrou umas amigas lá também, e estava se divertindo bastante, eu que estava meio deslocado no meio delas.”
“Bom... Eu vou dar uma saída então. Mais tarde eu volto.” Disse ela, levantando-se.
“Você não vai à lugar algum. Você não tem vergonha não, menina?”
“Você está louco, Rob?”
“Eu ouvi sua conversa com sua amiga. Você é uma vagabundinha mesmo. Já não acha que fez o bastante ontem, ainda quer sair de novo hoje?!”
“Você não tem direito de falar assim comigo!” Disse ela apontando o dedo para ele.
“Sua mãe vai ficar tão desgostosa em saber disso...” Disse ele com ar ameaçador.

Ela tenta imaginar a possível reação de sua mãe ao descobrir de tudo que ela fizera naquela escola

“Não, Rob. Por favor. Não conta. Eu te peço...”
“Porque eu faria isso por você? Você não é boazinha comigo. Você nem ao menos conversa comigo.”
“Você tem que entender que isso tudo é novo para mim. A separação dos meus pais... O novo namorado da minha mãe. Leva tempo até se acostumar.” Disse ela tentando convencê-lo.
“Sei... Agora você diz isso, né. Na hora de falar mal de mim para a sua mãe... Falar que eu sou um completo idiota, e ainda por cima feio... Você disse sem hesitar.”
“Ta bom, Rob. Vou ser sincera com você. Eu te acho sim um completo idiota. E aposto que só sua mãe te acha bonito. Mas não é motivo para você fazer isso comigo. Eu nunca fiz nada de tão ruim assim para você.”
“Menina... O que você estaria disposta a fazer para manter seu segredo só entre a gente?”
“Como assim?” Ela pergunta com medo.
“Eu só não conto para a sua mãe se você souber me agradar de algum jeito.” Disse ele com uma feição infame.
“Canalha...” Disse ela com nojo.
“Uma mão lava a outra, minha cara. Você me agrada, e eu não conto que você fica dando por ai para qualquer um.”
“Eu tenho asco de você.” Disse ela incrédula, se afastando
“E então... Você aceita a proposta, ou vai querer morar na rua? Porque você sabe que sua mãe com certeza vai te expulsar de casa.” Disse ele aproveitando as próprias palavras de Joana.

Ela estava sentindo uma extrema infelicidade. Tinha descoberto que seu padrasto era um tarado, aproveitador, chantagista. E só pensar que ele comia a sua mãe, e agora queria comê-la, a fazia quase vomitar. Que indivíduo sujo era aquele. Mas ela também estava achando-se suja, por tudo o que fizera naquela festa. Abusaram tanto dela, que mais um abuso não faria diferença, era o pensamento que ela queria ter, mas que na realidade não entrava em sua cabeça.

Rob era um homem de uns quarenta e cinco anos, mas com cara de sessenta. Era quase totalmente calvo. Quase todos os fios de cabelo brancos. Embaixo dos olhos azuis, muita pele caída. E pés de galinha. A pele do rosto muito vermelha, pois ele era muito branco e tinha tomado muito sol na praia. Ele estava vestindo uma calça jeans azul, com uma camiseta pólo branca com listras vermelhas.

“Você vai se arrepender profundamente do que está fazendo comigo, RO-BER-VAL.” Esta última foi pronunciada cuspida e debochada.
“Eu sei que dar para mim não vai significar nada para você, sua prostitutazinha adolescente.”
“Eu nunca quis tanto alguma coisa quanto eu quero agora que você queime no inferno.” Ela disse pausadamente.
“Uuuh... Pro inferno vai você também. Eis tão suja quanto eu, mocinha.”

Ela cospe na cara dele. Isso o irrita, ele a agarra, e tenta beijar seu pescoço. Ela tenta se desvencilhar. Mas Rob é mais forte, e consegue dominá-la. Logo, ele já está excitado. Joga ela na cama. Ela rasteja para trás, chegando à cabeceira.

“Por favor, não faça isso comigo, Rob. Por favor...” Disse ela chorando, desesperada.
“Ah, tenha dó! Você faz coisas piores por aí. Faça comigo o que você fez com aquele professor na sala de aula. Faça...” Nisso ele já estava em cima dela, segurando seus braços.

“Socorro...” Disse ela com a voz falhando, com uma falsa ilusão de que alguém a pudesse ouvir.
“Ninguém pode te ouvir, docinho.” Disse ele abrindo a calça e tirando o grande pinto rosa para fora. Com dificuldade, ele tira o short dela. Uma coisa de cada vez, pois ela estava agressiva. Tira a calcinha. E então começa o martírio. Rob entra e sai dela com força, machucando-a. E dizendo coisas como “Toma, vagabundinha.”, “É disso que você gosta, né. Então agora agüenta.” Xingava-a o tempo todo. De coisas que ela até nunca ouvira antes. Depois de uma eternidade, ele goza nela. Ela sente vontade de morrer. E então finalmente ele sai de cima dela. Mas ele não está satisfeito. Ele quer mais dela, quer humilhá-la mais um pouco. Ele senta na cama, pega Joana pelos cabelos e leva seu rosto até seu pau.

“Agora você vai me pagar um boquete bem gostoso, putinha.” Disse ele
“Nunca.” Ela disse empurrando-o.
“Ah, vai sim. Vai mesmo. Senão eu conto para a sua mãe.”
“Seu pau está mole, seu velho nojento!”
“Faz mesmo assim. Quero sentir sua boquinha delicada acariciando minha pica.”

Ela começa. O pau ameaça endurecer de novo.

“Isso...” Disse ele com os olhos fechados, e ainda segurando seus cabelos. “Passa a lingüinha nele todo. Isso...”

Ela morde o pau dele com todas as forças e ódio que ela tinha.

“Caralho!!! Sua puta desgraçada. Por que fez isso?!!”

Ele bate nela. Estapeia seu rosto. Tira o cinto pendido da calça e a açoita com ódio nos olhos.

Não adiantava ela dizer para parar, xingá-lo, dizer que ele estava matando-a. Ele continuava mesmo assim. Depois de um tempo, ele parou.

“Vou pagar para sua mãe ficar lá no hotel mais uma semana. Ela vai adorar” Disse ele com frieza. “Assim essas marcas que eu fiz em você já vão ter sumido, assim como a marca de mordida no meu pau. E fora que não dá para eu comer sua mãe com meu amiguinho doendo”

Ela já tinha sentido tanto asco, que mesmo depois dessas palavras sujas, ela não tinha mais expressão nenhuma em seu rosto. Ela sofrera demais. Ela apanhara demais. Ela fora molestada demais. Ela merecia tudo isso? Algo de muito ruim ela devia ter feito para merecer isso, ela pensava.

Nem Stephany, que prometera ir lá na casa dela mais tarde, não compareceu. E então ela ficou em sua cama. Paralisada. Nem lágrimas mais ela tinha. Durante horas ela ficou lá. Imóvel. Vegetativa. Acabada. Vulnerável. Machucada. Morta. O telefone chegou a tocar umas 3 vezes, a campainha também tocou, mas ninguém atendera. Não era Stephany, pois esta tinha a chave da casa, e não precisava tocar a campainha, ia simplesmente entrando. E mesmo se fosse, Joana não iria atender. Porque ela não conseguia levantar daquela cama. E também porque ela não tinha dado-se conta de que estavam tocando. Ela estava num estado semi-morta e não ouvia nada, ou ignorava tudo. Estava reduzida ao essencial, somente seu coração batia.




- Ana Costa Lima

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Contradições.

Eu, que sempre quis mudar esse mundo machista, onde “mulher-que-é-mulher” fica em casa arrumando a casa e cuidando do filho.


Eu, que sempre lutei a favor da igualdade.


Eu, que sempre incentivei a mulher a ir à luta, a não se acomodar. A querer ser mais do que as pessoas a limitam a ser.

Eu, que criei esse blog com idéias feministas, com contos no qual a mulher não se rebaixa a represálias ou rejeições, com letras de musicas feministas e revolucionárias. E que divulgo para que outras mulheres libertem-se de seus tabus...


Eu, justo eu, que achei que não caia em contradições.


Mas até eu. Até eu... Fui vítima de mim mesma.


Eu estudava. E eu trabalhava. Estudava de manhã, e trabalhava à tarde, na mesma escola. Na cidade vizinha. Tinha que acordar cedinho. Eu, como mulher que sou, acordava uma hora antes de sair de casa, para me arrumar. E isso fazia com que acordasse mais cedo ainda do que era necessário para chegar à escola no horário, obviamente. Para enfrentar uma linha 32 intermunicipal em horário de pico.


Eu não tinha tempo de tomar café (até teria se acordasse mais uns 20 minutos mais cedo, mas pelo amor de deus, eu já acordava cedo demais), ficava o dia inteiro fora. Às vezes almoçava, mas só quando eu sentia que não ia agüentar passar o dia sem mesmo. Eu trabalhava a tarde inteira e enfrentava criancinhas e adolescentes endemoniados.


A escola abusava de mim, pois eu era apenas estagiária de Sala de Informática e tinha que ficar lá com salas em aula vaga (não ganhava à mais para isso, não tinha faculdade e não estava no meu contrato fazer isso, mas o contrato entrava em contradição quando dizia que os estagiários deveriam aceitar as regras da escola, ou seja, tínhamos que aceitar o que a escola determinasse, mas acho que eles abusavam de nós em nos fazer de professores eventuais)


Saindo do trabalho, às 17:00 horas, pegava novamente a maldita linha 32, lotada, via tiozinhos peões voltando do trabalho de servente de pedreiro (nada contra a profissão). E pensava: Será que esse sacrifício todo que eu faço vale a pena? Eu sacrifico o meu humor, a minha saúde mental (e física) para que? Comecei a ver que aquilo não fazia sentido.


Todos os meus colegas sentiam inveja do meu trabalho. Porque eles sempre me viam no MSN e achavam que era legal aquilo. Até que era legal. Dava muito bem pra atualizar meu blog, entrar no orkut, MSN, enfim. Mas, como eu sou do contra, eu não gostava. Porque não suporto tédio, e no meu trabalho era assim: ou não tinha ninguém ou tinha “todos”, e quando tinha “todos” era um inferno. A única criança que eu gosto, é o meu irmãozinho. E eu não tinha paciência com as criancinhas que lá freqüentavam, mas tinha que ter, e eu me sentia pressionada.


Eu até que fiz amizade com alguns alunos mais velhos, mas este foi meu erro. Por ter virado amiga deles, eles também abusavam de mim. E não me respeitavam mais. Queriam cabular lá dentro, queriam mexer no meu computador administrador, enfim. Fui burra, mas era algo irrefutável e que não dava mais para concertar. E eu acabava levando broncas (mas nisso não tiro a razão da escola)


Eu sentia que aquele não era o emprego certo para mim. E qual foi o problema de sair? O problema é que agora eu acordo onze horas da manhã, não faço nada o dia inteiro. Semana que vem vou começar a estudar em outra escola, das 13:00 às 18:20 horas. Ou seja, vou dormir até 11:00 horas ainda, tomar banho, ir para a escola, voltar e entrar na Internet. Porra nenhuma o dia inteiro. Não mais sacrifícios.


Cadê meus ideais feministas? Cadê a frase que as mulheres têm que ir para a luta, sendo que troquei a luta pela boa vida de vagal? E daí que eu tava ficando estressada? E daí que eu acordava de noite, e voltava de noite? E daí que enfrentava monstrinhos e não ganhava pelo trabalho que realizava? E daí que estava estragando minha saúde física e mental? Eu saí. Eu desisti. Desisti da luta.


Mas eu reconheço. No pior dos casos, tem mulheres que nem percebem que se contradisseram. Mulheres que se dizem feministas. Mas eu reconheço: Fui preguiçosa. Me contradisse. To sem moral. Desisti sim. Mas isso não significa que desistirei das próximas. Essa luta eu perdi, mas a próxima eu ganho. E espero reconhecer sempre que me contradizer, porque só assim terei a chance de não mais errar.


Uma coisa é certa: Sempre pra frente, sempre me superando, sempre procurando reconhecer os meus erros, sempre melhorando, sempre na busca (utópica) da perfeição.

 
 
- Heloísa Vasconcelos

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Contos: Riot Girl - A filha de Lilith [pt 4]

Ação e reação.


Logo depois da moça sair da sala, o professor sai atrás. Ele lembrou que aquele seria o último dia de Joana naquela escola. E ele não queria perder o contato com ela. Ela mexera demais com ele, isso era fato. Ele sai no corredor e não vê ninguém. Só vê uma espetora gorda no portão da frente gritando para alguém voltar. Ele se dá conta de que aquilo era loucura. O que ele estava tentando ganhar com isso, afinal? Fazer com que ela fosse amante dele para sempre? Melhor tentar esquecer aquela garota de uma vez. Talvez ela tivesse sido somente um sonho. Era o que ele queria acreditar. Era surreal demais para ser crível.

Na volta para o lar, ele não conseguia pensar em outra coisa. Ele até esquecera que sua mulher pedira para ele passar no mercado. Agora já era, já estava chegando em casa. Hoje passara rápido.

E na mente dele: “Joana. Joana. Joana. Onde moras? Joana. Porque fizera aquilo? O que quer de mim?. Joana. Joana. E mais Joana.”

Chegou em casa. Estava parecendo que ele enfrentara demônios em vez de alunos o dia inteiro (e isso porque naquele dia nenhum aluno comparecera na escola, exceto Joana). Ele parecia acabado e infeliz.


Deu um beijo em seu filho que brincava no chão. E um na ponta da cabeça de sua mulher, que estava sentada no sofá assistindo o jornal. Ela olhou para ele e perguntou se estava tudo bem. Ele consentiu.


“Hoje estou muito cansado. O dia foi cheio. Preciso descansar um pouco. Ta bom, amor?” Ele disse
“Tudo bem” Disse ela, com pena do marido. “Também estamos cansados. Já estamos subindo.”


E então o professor Daniel foi tomar um banho. Depois desse encontro com sua esposa e seu filho, a consciência estava mais pesada do que nunca. Ele estava sentindo dó deles e se sentindo um canalha. O pequeno filhinho de um ano, inocente demais para imaginar que o pai traíra sua mãe com uma menina de dezessete anos. A mulher, com dó do marido por achar que ele enfrentou adolescentes malditos o dia inteiro, e chegou cansado depois de um dia estafante de trabalho, e nunca imaginaria que ele comeu aquela aquela aluna fogosa, e com aquela vontade com a qual ele nunca teve com ela.


Mas o que ele podia fazer? O que foi feito estava feito. E aquela frase de Joana ecoava em sua mente “Você será corroído pelo sentimento de que podia ter feito algo diferente hoje, mas não fez.” Se fechasse os olhos, ele até conseguia ouvir aquela voz suave e timbre gostoso de Joana pronunciando essas palavras. E imaginando ela em sua frente, com aquelas coxas grossas cruzando-se em sua frente.


Quando foi para a cama, sua mulher já estava lá e deitada para o lado. “Ainda bem que ela já está dormindo” Ele pensou. Quando se deitou, ela virou-se para ele, e o abraçou. Sentiu uma leve decepção. Fazia tempo que seu casamento já não ia bem. Mas depois do que ele vivera naquela sala de aula, trancado com Joana, ele não estava mais suportando aquilo tudo. A sua própria realidade.


“Amor, relaxa.” Sua espora dissera.
“Você não sabe o que eu enfrento lá.”
“Me conta. Eu to aqui para te ouvir”
“Amor, não estou a fim de conversar hoje. Vou dormir, e amanhã a gente conversa.”


Ela o soltou na hora, e ficou emburrada olhando para cima.

“O que foi agora? Não tenho o direito de chegar estressado pelo menos um dia?” Ele disse.
“Poxa, eu faço tudo por você. Cuido bem do nosso filho. E quando você chega, eu tenho que fingir que você não existe?”
“Eu só quero um tempo. Se eu tiver uma boa noite de sono, e sem brigar com você, amanhã acordarei bem, e a gente conversa numa boa. Porque não consegue entender isso?”


Ela ficou calada. Na mesma posição. Só que agora os braços estavam cruzados, e a boca num beicinho.


“Ah, amor. Desculpa, vai.” Ele disse aproximando-se dela. “Eu não quero brigar com você, e é por isso que eu quero dormir logo. Não quero descontar meu estresse em você. Procura me entender, por favor.”


Ela olha para ele. Sem expressão. Mas sorri, perdoando-o.

“Ah, sabe o que o seu filho fez hoje?” Disse ela abraçando-o.
“O que?” Disse ele, sem interesse.
“Disse a primeira palavrinha” Ela disse abobada.
“Sério?”
“É. Ele disse ‘papa’”


Ele sorri. E a abraça.


“Estava com saudade de você, amor.” Ela disse, mudando de assunto.
“Ultimamente estamos sem tempo, não é?” Ele disse.
“Sim. Trabalho, filho, casa, contas. É tudo novo pra gente, não é?”
“É. Mas vamos conseguir nos adaptar”

Ela começa a beijá-lo. Ele a beija também. Sua esposa era uma loira de cabelos curtos. Bonita. Mas simplesmente não era como Joana. Esta tinha algo especial, que o deixava louco. Algo jovial, algo misterioso. E que ele queria muito desvendar. Sua esposa ele já conhecia muito bem. E isso o fazia sentir algo puro por ela, talvez o verdadeiro amor. Mas por Joana ele sentia algo aventureiro, algo voluptuoso, algo carnal, impudico, lúbrico. Tudo isso misturado revirando-se em seu corpo. Era como uma droga ilícita. Ele viciara. Ele necessitava. Mas tinha que ser escondido dos outros. Disfarçar.


Ele segura nos seios de sua esposa, imaginando os seios nem grandes nem pequenos de Joana. Ele procura fazer sexo com a esposa de olhos fechados, com medo de broxar. Com medo de sua imaginação ser destruída pela realidade que estava vivendo. E isso poderia ser fatal.

Naquela noite, ele fodeu sua esposa sem vontade. Sem desejo. Por obrigação. Se ele dissesse não, achou que levantaria suspeita. Talvez ele estivesse enlouquecendo.


Ele estava confuso. Com vontade de sair correndo dali, e procurar aquela menina. Mas ele não sabia exatamente o que ela queria com ele. Talvez ela já tivesse conseguido tudo o que queria dele. E ele não queria trocar o certo pelo duvidoso. Mas que dúvida mais excitante era aquela. Ele queria mais daquilo. Ele queria aquele espírito livre junto ao dele.


Finalmente, quando a tortura terminara, e a esposa virara para o lado, ele pôde ficar a sós com seus pensamentos. Era bom pensar nela. Era bom saber que ninguém podia ler seus pensamentos. Mas naquela noite, ele estava tenso, e pensando demais. Não conseguiu dormir. Sorte que amanhã será sábado.






- Ana Costa Lima

sábado, 25 de setembro de 2010

Contos: Riot Girl - A filha de Lilith [pt 3]

Coragem Libertadora de final de ano II

Ela estava lá, caída no chão daquele quintal sujo do anfiteatro da escola. Acordou com o sol brilhante nos olhos. Devia ser umas 08:00 horas da manhã. Levantou devagar, colocou a mão na cabeça. A mistura de bebidas e drogas da festinha martelando lá dentro. Ela levantou com esforço e cambaleou até a parte de dentro do local. A visão embaçada. Ela viu que estava sozinha lá. Passou a língua nos lábios e sentiu o gosto amargo da ressaca.

Na noite anterior, os poucos restantes na festa, muito noiados, pularam o muro pouco antes do amanhecer. Nem viram Joana caída lá no chão. E mesmo se tivessem visto, teriam deixado ela lá também.

Era estranho lembrar que há apenas alguns anos ela era só uma patricinha mimada, embalista, paga-pau, sem personalidade (mas apenas não havia descoberto quem ela realmente era). Agora ela estava lá, sentindo-se a pessoa menos pura do mundo. Remorso? Não. Mais estranho ainda é que ela não o tinha.

Joana começa a procurar algo desesperadamente. Olha na mesa em cima do palco, onde outrora um garoto magnífico estava lá sentado. Magnífico e maldito. Deixara ela lá sozinha depois de dopá-la e abusar de todos os pedacinhos de seu corpo. Olha embaixo da mesa. Desce correndo e vai para a parte de fora, volta desesperada. Olha embaixo de uma cadeira. Ela sorri quando encontra o que procurava. A chave. A chave da porta do anfiteatro.

Ela abre cautelosamente. Ninguém por perto. Corre até o banheiro que fica em frente. Ela estava um lixo. Os mesmos coturnos vermelhos, a mesma camiseta rasgada Jack Daniels, e a mesma saia jeans preta, a diferença é que estavam todos sujos. Ainda bem que ainda tinha um pouco de sabonete e papel por lá. Lavou o rosto, o tórax (estava oleoso), as axilas, as partes íntimas. Ela estava com nojo de si mesma, não pelo que fizera. Pelo que aquele garoto de beleza esplêndida, porém caráter demoníaco fizera com ela. Mas não havia arrependimento.

Ela se sente um pouco melhor depois da limpeza. Era impossível lavar as marcas na memória e na consciência. Nem a queimadura de cigarro que ela ganhara no peito, para nunca esquecer daquela noite. Mas pelo menos sentia-se com forças para sair andando daquele lugar e continuar sua vida. Pelo menos agora que estava ligeiramente limpa, poderia sair de lá sem que os olhares a condenassem.

Ela sai do banheiro. Ninguém estava no pátio. Ela anda até os corredores onde ficavam as salas de aula, evitando o corredor da coordenação e diretoria. Olha sala por sala, para ver se tinha alguma alma viva. Algumas estavam fechadas. Umas duas salas tinham professores concentrados fechando médias. Ela passou pelas salas sem ser notada. Não tinha nenhum aluno na escola inteira. Ela olhou na última sala à direita do corredor. Ela vê o professor Daniel.

Professor de História. Trinta e um anos. Possuía os cabelos mais lisos que ela já vira. Castanho bem claro, quase loiro. Ele era lindo, com aqueles alargadores 16 milímetros em cada orelha. Parecia mais um tatuador skatista do que um professor. Mais uma quedinha de Joana. Ela não pagava um pau para ele, pagava uma árvore inteira, era o que ela dizia para as amigas.

Ele percebe que alguém o observa e olha. Vê Joana. Sorri para ela. Desde que ele chegara na escola, ela sempre puxou conversa com ele, então eles já se conheciam bem.

“Oi” Disse Joana. E foi entrando.
“Oi, Joana... O que está fazendo aqui?”
“Eu vim para estudar. Apesar de todo mundo ter combinado de faltar hoje, teoricamente tem aula normal, certo?”
“Certo.” Disse ele sorrindo. “Não conhecia este teu lado estudiosa.”
“Eu sou do contra... É diferente.”
“E o que pensa em ganhar com isto?”
“Tenho algo em mente... Mas não sei se daria certo.” Ela fecha a porta da sala, que por azar (ou sorte) do professor, era daquelas que se fechadas por dentro, mesmo que não trancadas, ninguém de fora pode abrir.
“Joana, eu sou casado.” Disse ele mostrando a grossa aliança em seu dedo.

Ela anda até ele graciosamente, como uma gata. Ela afasta alguns papéis na mesa e senta em cima. De frente para o professor, com as pernas meio abertas e cotovelos apoiados nas coxas, ela fala com um falso ar de aluna curiosa.
“O que é traição para você, professor?”
“É o que você está me fazendo realizar agora" Disse ele olhando suas coxas, depois seus olhos.
“Isso porque ainda nem fizemos nada?” Pergunta ela rindo com escárnio.
“Traição para mim vai além do ato. Um pensamento às vezes é muito mais sujo do que o que todo mundo considera traição.”
“Já que você pensa assim, então você acabou de trair sua mulher. O ato não significa mais nada”

Ela pega um cigarro do bolso da saia e acende.

Ele observa a feição de menina-mulher dela, e sorri. Ele realmente estava pensando no que ela dissera. Menina esperta ela era.
“Você é bem espertinha.” Ele disse, pegando o cigarro dela para um trago.
“Sou o suficiente para ter certeza que você me quer. Não tenha medo, professor. Ninguém vai ficar sabendo. E você vai gostar muito, pode apostar.”
“Eu sou muito mais velho que você. E tenho um filho também, de um ano”
“Eu gosto de homem, não de garoto. E sobre o filho... É só você não pensar nele agora. Você verá ele esta noite. Ele e sua mulher. Como todos os dias. Sua velha rotina. Você vai ser corroído pelo sentimento de que podia ter feito algo diferente hoje, mas não fez.”
O coração dele bate forte quando ela cruza as pernas na frente dele.
“Eu sei que aquele dia na excursão você estava louco para me pegar” Disse ela
“Você estava realmente muito linda. Mas eu tive que ser forte, tinha muita gente da escola lá, e até outros professores.”
“Eu sei. Por isso que não usei todo o meu charme para te conquistar. Eu fiquei com peninha de você. Não queria te fazer sofrer. Mas agora, podemos fazer tudo que quisermos, bem aqui.”

Ela desce e fica sentada no colo dele, com as pernas abertas, ainda de frente para ele.

“Você me deixa maluco, menina.” Disse ele colocando as mãos em suas coxas, perto de sua bunda.

Ela beijou o pescoço dele. Ele excitou. Ela foi subindo para o rosto. Chegou na boca. Eles tinham um gosto bom de cigarro de menta. Ele colocou a mão no sexo dela e fez uma espécie de massagem. Ela gostou. Abriu a calça dele e o masturbou. Cansada, ela parou e se encaixou no pênis dele. Ela estava em cima e comandava a situação. Ela controlava a velocidade e a intensidade.

Depois de um tempo, o professor quis mudar de posição. Ele colocou-a em cima da mesa e, de pé, fodeu mais um pouco. Ele goza dentro dela. Ela sente o prazer em cada músculo dele e finca as unhas em suas costas. Ele olha para ela de um jeito que a faz amá-lo, porque naquele momento ele estava amando-a. Amor momentâneo, amor grato.

Ele estava virando-a para lhe fazer um sexo oral. Ela então recusa, falando que precisa ir embora. Recompõe-se, arruma o cabelo e lhe dá um selinho de despedida.

“A gente se esbarra por ai, professor.” Disse ela
“Espero te encontrar de novo, Joana” Disse ele, amando-a.

Ela dá uma última olhada para aquele homem que talvez ela nunca mais voltasse a ver na vida, já que ela acabara de terminar o terceiro ano naquela escola. Ela sabia que nunca esqueceria aquele homem. Mas enfim, ela deixa o lugar. Aproveitando que a espetora abriu o portão da frente para a entrada de alguns materiais, Joana correu e conseguiu sair da escola. Deixando para trás uma espetora gritando.

Ela continuou correndo, até chegar em casa. Durante o caminho, ela estava pensando na bronca que ia levar de sua mãe. Mas ela estava preparada. Até se sua mãe quisesse bater nela, ela deixaria. Sabia que merecia. E talvez uma surra a fizesse ficar mais tranqüila com sua consciência, mais limpa. Depois ela com certeza pediria desculpa para sua mãe, e ganharia um abraço dela. E ela queria esse abraço, queria se sentir amada de verdade.

Chegando em casa, não viu ninguém na sala. Chamou a mãe. Gritou que tinha acabado de chegar. Gritou perguntando se ela não ia vir brigar com ela. Ninguém respondeu. Ela foi até o primeiro degrau da escada. Chamou. Ninguém. Foi até a cozinha. Encontrou um bilhete na geladeira. Escrito com as familiares letras de mão de sua mãe.

“Filha, sai com o Rob. Decidimos viajar de última hora. Espero que passe bem o final de semana. Pode ficar na casa da Stephany se quiser, já falei com a mãe dela. Ou fica em casa mesmo, mas tenha juízo. Volto no domingo à tarde. Mamãe te ama. Beijo.”

Nem ela mesma sabia o que estava sentindo. Felicidade ou tristeza? Ela preferia uma surra do que indiferença. Ela preferia enfrentar o tornado para depois vir a calmaria do que passar como se nada tivesse acontecido, sem lavar sua alma. Sua mãe saíra com o namorado e não estava lá para brigar e bater nela. E ela estava sentindo-se infeliz por isso. A menina do contra.

Sentia-se mais sozinha do que nunca, mas era necessário um pouco de solidão e infelicidade para ver que a vida não é feita só de luxúria.




- Ana Costa Lima

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Chegou a Hora !

500 anos de Brasil
E o que que mudou?
Quantos anos você tem?
E o que você mudou?
Se julgar incapaz
Foi o maior erro que cometeu
Um indivíduo racional
É na verdade um deus
Pensar é sua arma contra
Toda essa opressão
Só depende de você 
Fazer a revolução
É tempo de revolução
(revolução)
O poder está em nossas mãos
(autogestão)






Por: Bulimia