sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Contos: Riot Girl - A filha de Lilith [pt 2]

Divino Litro de Vinho
  
Joana era uma típica garota de 8ª série. Louca para ser popular. Sem sal, sem açucar. Nem mais, nem menos. Tímida. Gostava de pop rock. Queria ser como as amigas dela. Procurava falar mal das que eram "menos" que ela. Procurava imitar as celebridades da TV, ou as gurias mais populares que ela. E fazia tudo isso com um único objetivo: ser como aquelas pessoas eram, sê-las. E estava esquecendo de ser ela mesma, para ser comum.
 

Todas as amigas dela adoravam um tal de Rodrigo. Falavam o tempo todo dele. E quando ele passava, elas ficavam pulando igual galinha quando jogam milho. Joana era a mais tímida, só dava risinhos. Afinal, ela só fingia quando dizia que ele era o tesão em pessoa. Sua melhor amiga, Stephany, era muito fútil, mas uma guria bem interessante. Peitos e coxas fartas, loira natural, olhos verdes. Nem parecia ter catorze para quinze anos. Ela sempre ficava falando para Joana ir falar com ele. Porque segundo Stephany, Rodrigo olhava mais para Joana. Mas era mentira. Era só porque ela sabia que Joana era a mais tímida do grupinho e a mais sem graça. Ela adorava humilhá-la. Sentia prazer com isso. Uma humilhação indireta e falsa, por isso elas ainda se rotulavam melhores amigas.
 

Joana tinha um metro de sessente e quatro de altura. Mediana. Tinha os longos cabelos castanhos e cheios de luzes e mechas loiras (Stephany dissera a ela para fazer). Olhos azuis bem escuros. Pele clara. Sem espinhas, sem manchas, sem imperfeições. Ela usava maquiagem porque tinha que chamar atenção, realçar os olhos, a boca, e a cútis.
 

Se ela era infeliz? Não sei dizer. Ela era como elas, então talvez isso a fizesse feliz de certo modo. Afinal, era a sua meta. Mas se isso era realmente o que ela queria...Tenho certeza que não.
 

Ela era muito mais do que aquilo que demonstrava. E isso às vezes a corroia por dentro. Tinha vezes que ela chegava em casa e esmurrava a parede...E nem sabia ao certo por quê. Ela queria mais. Aquilo que ela tinha era lixo, era medíocre, era podre perto do que ela tinha dentro de si. Era como um litro de vinho tentando caber em uma única taça pequena.
 

Finalmente um dia, na saída da escola, Rodrigo chamou Stephany para conversar. Ela foi na direção dele com um sorriso de vencedora. Ela estava muito feliz. Cheia de si. Só de pensar que as amigas estavam olhando e querendo estar na pele dela, a fazia quase gargalhar.
 

Então eles começaram a conversar. Logo o sorriso dela desapareceu. Ela fechou a cara. Ficou olhando para baixo. Depois de 2 minutos de conversa ela voltou, com uma falsa cara de "Vocês não vão acreditar na novidade!!". Puxou Joana de lado.
 

"Ele quer falar com você." Ela disse secamente
"Comigo?? Quer falar o que comigo??" Joana falou com espanto
"Ele quer ficar com você, sua anta!" Ela não conseguiu conter a ira.
 

Joana emudecera. Não porque aquilo era tudo o que ela queria. E sim porque não era o que ela queria de fato. Nunca quis. E agora estava pensando: "Por que eu?? Elas são tão melhores!"
 

"Não."
 

Foi só o que ela disse à Stephany.
 

"Fica com ele todo para você." Ela completou, com nojo. E saiu andando rápido.
 

Stephany ficou boquiaberta e não emitiu som algum. Ficou só paralisada olhando a amiga se afastar. Depois olhou para Rodrigo, meio que pedindo desculpa. Ele estava com um olhar interrogativo. E ela retrucou com um olhar de "Também não entendi o que aconteceu com ela."
 

Stephany saiu andando também. Atrás da amiga. Como Joana morava na rua de trás da escola, já tinha entrado em sua casa. Stephany tocou a campainha. Ninguém veio. Então ela abriu o portão e entrou sem ser convidada. Abriu a porta. Ninguém na sala. Subiu as escadas até o quarto de Joana, naquela casa que ela conhecia melhor que até sua própria casa. Desde pequena, sempre freqüentara aquele lugar.
 
A porta do quarto de Joana estava entreaberta. Ela chamou a amiga. Ela não respondeu. Então Stephany foi entrando. Lá, encontrou a amiga se olhando curiosamente no grande espelho que tinha no seu quarto.



"Joana...Porque você fez aquilo?" Perguntou Stephany com os olhos semi cerrados e balançando negativamente a cabeça. 
"Aquilo o que?"
"Você sempre quis ficar com o Rodrigo. Todas queríamos. E quando ele finalmente escolheu uma de nós você..."
"Chega" Interrompeu Joana. "Ninguém nunca perguntou o que eu queria de fato. Vocês sempre impuseram suas opniões sobre mim e acharam que eu fosse como vocês"
"Mas, Joana..."
"Você nunca me conheceu, Stephany." Joana foi chegando mais perto da amiga. "Nunca."
Joana olhava a amiga com um olhar estranho. Stephany realmente não conhecia aquela Joana.
"Você está me assustando." disse Stephany
"Ah... Que pena, gata. Estou realmente chateada com isso" Disse Joana com sarcasmo "Mas é o que você tem que ter por mim a partir de agora"
Stephany estava olhando com um olhar interrogativo de patricinha fresca. Joana irritou-se e continuou:

"Eu estou cansada de tudo isso! De ser igual! De não ter personalidade! De imitar vocês em tudo. De..."
"Tá afim de fazer uma coisa diferente hoje?" Sussurou Stephany quase encostando em sua amiga.
"Tipo o que?" Joana perguntou receosa mas curiosa.
 
Stephany encostou seus labios nos da amiga, bem lentamente. Joana estava tensa, mas logo relaxou e gostou da idéia. E suavemente, as linguas começaram a se acariciar dentro das bocas delicadas e cheias de gloss. Foi ficando cada vez mais quente. Logo estavam se beijando agressivamente. Se apertando com uma vontade intensa, como se elas tivessem esperando por isso há catorze anos.
 
Joana pegou na bunda de Stephany, e esta fez o mesmo. Stephany tinha um balanço muito sensual. Esfregava uma das pernas no meio das pernas de Joana. Ela já estava ficando lubrificada. Stephany estava sentindo-se livre, de um jeito que nem quando fumava escondido com as amigas ela sentia. E isso a fez começar a acariciar os peitos de Joana, que logo quis fazer o mesmo. Mas elas queriam mais.
 
Joana levou a amiga até a penteadeira. Sentou-a. Rasgou sua blusa rosa de um jeito selvagem. Vira isso num filme e se sentiu realizada em fazê-lo. Desabotoou seu sutiã preto com bolinhas rosas e laçinho. Começou lambendo o biquinho dos peitos fartos e firmes de Stephany. Depois já estava com eles na boca inteira. Stephany gemia de prazer. Joana juntava os dois para chupá-los ao mesmo tempo. Stephany jogou a cabeça para trás e apoiou as mãos na superfície de madeira maçiça do lugar que estava sentada. Realmente estava gostando muito daquilo.
 
Stephany de repente desceu da penteadeira. Joana pensa que ela mudou de idéia e não quer mais aquela loucura toda. Mas Stephany segura a cintura da amiga e a empurra de leve para a cama. E então tudo ficou mais gostoso. Joana estava deitada, com Stephany em cima dela. Que começou a tirar sua blusa. Deixando Joana só de sutiã, ela começou a beijar sua barriga, torax e no meio dos seios. Logo em seguida, tirou o sutiã e chupou os peitos dela, de olhos fechados, as duas estavam sentindo seus sexos se dilatarem. Tudo parecia como se não fosse a primeira vez, como se elas já tivessem feito aquilo milhares de vezes. 



Stephany começa a tirar a calça de Joana, com bastante pressa. As duas se olham de um jeito "Eu sei que isso vai ser muito bom". A calcinha é tirada com delicadeza. Joana já está aberta como uma flor desabrochada. Toda molhada.


Stephany visualiza aquela maçã saborosa, rosada e lubrificada. Introduz suavemente o dedo lá dentro, fazendo movimentos circulares. Depois que o líquido de Joana estava quase escorrendo, ela segura as duas coxas de Joana, e lambe seu clítoris. Joana geme e se contorce de prazer. Depois lambe a vagina dela inteira, do início até os pequenos pelos que nasciam na parte de cima. Ela puxa e solta o clítoris com os lábios.


Depois de quinze minutos, Joana gozou. Ainda com a respiração ofegante, ela gira a amiga e fica em cima desta vez. Na intenção de proporcionar prazer a ela também. Foi quando ela ouviu um barulho vindo lá de baixo. Ela pára na hora em cima de Stephany e fica paralizada, tentando escutar. Como um lobo que ouve um barulho estranho e tenta identificar. Era o barulho da porta da sala abrindo e fechando. Tudo foi tão bom que Joana até esquecera que sua mãe dissera que voltaria mais cedo.


As duas estavam vestindo-se o mais rápido que podiam. Quando terminaram de colocar as últimas peças de roupa, a mãe de Joana abriu a porta do quarto. Elas sentaram-se na cama e fingiram que riam de algo.


"Você nem fez o almoço que eu tinha pedido pra fazer, Joana" Disse desanimada a mãe.
"Ah mãe. Desculpa. Eu esqueci." Disse Joana.
"Não dá pra contar com você para nada mesmo, hein." Disse a mãe, fechando a porta atrás dela e descendo as escadas reclamando.


Elas se viraram uma para a outra e soltam gargalhadas. Desta vez sinceras.


"Joana, porque exatamente estamos rindo?" Perguntou Stephany ainda com ar de riso.
"Ah... Acho que é porque é muito engraçada essa situação." Responde Joana, sorrindo.
"A sua mãe brigando com você?"
"Não... A minha mãe olhando para nós aqui sozinhas... Com o cabelo todo bagunçado e não desconfiando de absolutamente nada." Ela começa a gargalhar de novo.


Stephany levanta-se e olha-se no grande espelho. Ela estava acabada. A maquiagem toda borrada no rosto, o cabelo desgrenhado e a camiseta rosa rasgada. E então gargalhou até ficar sem fôlego.


"Estou me sentindo livre. Simplesmente eu mesma. Mas... O que será da gente agora?" Disse Stephany confusa
"Eu tenho certeza da minha sexualidade. Sou hetero. Mas o que eu sinto por você... É uma excessão à regra." Disse Joana sorrindo.
"Eu também... Eu sempre gostei de garotos. E continuo gostando. Mas sei lá... O que rola entre a gente é diferente." 
"Diferente... Mas você quer parar?" Disse Joana devagar e receosa.


Silêncio no ar. Aquela tensão. Joana engolindo em seco. Porque ela tinha gostado muito daquilo, mas tinha medo que sua amiga fizera sem pensar e agora estivesse arrependida. E parasse de falar com ela para sempre.


"Você está me devendo algo... Ou já esqueceu?" Revelou Stephany piscando, e a tensão se transformou em risos.
"Dorme aqui em casa hoje. Aí eu pago a dívida com juros se você quiser."
"Durmo sim. E o mais legal: Ninguém vai desconfiar de nada. Somos amigas de infância"
"Garotinhas patricinhas, que usam rosa, que vão bem na escola..." Disse Joana em falsete, querendo imitar seus pais ou quem quer que fosse. Já que nunca ouvira ninguém falando aquilo, mas era engraçado tentar imaginar o pensamento inocente das pessoas.


Elas riram de novo. Elas riram a tarde inteira. Elas conversaram sobre garotos. Elas não fizeram nada do que não faziam antes, exceto pela alegria intensa que elas estavam sentindo. E pelo que elas fizeram assim que anoiteceu e elas foram ao quarto para "dormir". Porque eu sei que naquela noite elas fizeram de tudo, menos dormir. Não foi estranho, não foi fútil, não foi pecador. Foi o descobrimento delas mesmas; das Joanas e Stephanys interiores que sempre estiveram ocultas; da capacidade de superarem-se e auto-surpreenderem-se; da ilimitabilidade que possuiam; da perda daquela inocencia; de algo que elas achavam que tinham e conheciam, mas na verdade nem tinham desfrutado ainda e desconheciam. Algo chamado liberdade.


E assim Joana ganhara mais uma taça para o seu litro de vinho.



- Ana Costa Lima

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