quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Contos: Riot Girl - A Filha de Lilith [pt 5]

A Vida Não é Bela


“Nossa, Joana. Você é foda!” Disse Stephany ao telefone, empolgada.
“Ah, sei lá. Posso até ser... Mas porque então me sinto tão suja?” Disse Joana intrigada.
“Amiga, vamos combinar: O que você fez foi sujo.” As duas riem “Muito sujo. Mas foi foda. Eu não sei se teria coragem de fazer isso. Mas admiro muito sua coragem. O professor Daniel é realmente muito gostoso”
“É... Eu só fiz o que senti vontade na hora. Não pensei no que as pessoas pensariam de mim, ou o que eu pensaria de mim mesma.”
“Mas você não tem que pensar nessas coisas mesmo. Você tem que ser feliz. Sem pensar no que as pessoas falarão de você. Joana, as pessoas são podres, adoram julgar”
“Na teoria é bem fácil. Mas na prática, não me sinto nada feliz. E outra... Quando eu cheguei em casa, achei que veria minha mãe brigando comigo, se importando comigo. E ela tinha viajado com o namorado dela. Só volta amanhã.”
“Você é estranha, menina.” Disse Stephany “Você evita que sua mãe te dê uma surra por tudo o que você fez naquela escola, e fica triste por isso?!”
“Por tudo o que eu fiz naquela escola?? Você só pode estar louca. Eu achava que ela fosse me bater por eu ter passado a noite fora. Se ela soubesse de algum modo que eu dei para aquele garoto na festa e pro professor Daniel no outro dia, em plena sala de aula... Eu to morta. Sério, Stephany. MOR-TA. No mínimo ela me expulsaria de casa. Sério.”

Ela percebe que seu padrasto está à porta.

“Tenho que desligar, Steh.” Disse Joana olhado para ele.
“Ta. Depois eu vou aí na sua casa. Tenho que limpar meu quarto ainda.”
“Ta bom. Beijo. Tchau” Disse Joana desligando o telefone.
“Há quanto tempo está ai?” Agora para o padrasto.
“Tempo suficiente” Disse ele entrando no quarto
“Você e a mamãe não chegariam só amanhã?”
“Sua mãe ficou por lá. Eu estava meio entediado, e quis voltar. Ela encontrou umas amigas lá também, e estava se divertindo bastante, eu que estava meio deslocado no meio delas.”
“Bom... Eu vou dar uma saída então. Mais tarde eu volto.” Disse ela, levantando-se.
“Você não vai à lugar algum. Você não tem vergonha não, menina?”
“Você está louco, Rob?”
“Eu ouvi sua conversa com sua amiga. Você é uma vagabundinha mesmo. Já não acha que fez o bastante ontem, ainda quer sair de novo hoje?!”
“Você não tem direito de falar assim comigo!” Disse ela apontando o dedo para ele.
“Sua mãe vai ficar tão desgostosa em saber disso...” Disse ele com ar ameaçador.

Ela tenta imaginar a possível reação de sua mãe ao descobrir de tudo que ela fizera naquela escola

“Não, Rob. Por favor. Não conta. Eu te peço...”
“Porque eu faria isso por você? Você não é boazinha comigo. Você nem ao menos conversa comigo.”
“Você tem que entender que isso tudo é novo para mim. A separação dos meus pais... O novo namorado da minha mãe. Leva tempo até se acostumar.” Disse ela tentando convencê-lo.
“Sei... Agora você diz isso, né. Na hora de falar mal de mim para a sua mãe... Falar que eu sou um completo idiota, e ainda por cima feio... Você disse sem hesitar.”
“Ta bom, Rob. Vou ser sincera com você. Eu te acho sim um completo idiota. E aposto que só sua mãe te acha bonito. Mas não é motivo para você fazer isso comigo. Eu nunca fiz nada de tão ruim assim para você.”
“Menina... O que você estaria disposta a fazer para manter seu segredo só entre a gente?”
“Como assim?” Ela pergunta com medo.
“Eu só não conto para a sua mãe se você souber me agradar de algum jeito.” Disse ele com uma feição infame.
“Canalha...” Disse ela com nojo.
“Uma mão lava a outra, minha cara. Você me agrada, e eu não conto que você fica dando por ai para qualquer um.”
“Eu tenho asco de você.” Disse ela incrédula, se afastando
“E então... Você aceita a proposta, ou vai querer morar na rua? Porque você sabe que sua mãe com certeza vai te expulsar de casa.” Disse ele aproveitando as próprias palavras de Joana.

Ela estava sentindo uma extrema infelicidade. Tinha descoberto que seu padrasto era um tarado, aproveitador, chantagista. E só pensar que ele comia a sua mãe, e agora queria comê-la, a fazia quase vomitar. Que indivíduo sujo era aquele. Mas ela também estava achando-se suja, por tudo o que fizera naquela festa. Abusaram tanto dela, que mais um abuso não faria diferença, era o pensamento que ela queria ter, mas que na realidade não entrava em sua cabeça.

Rob era um homem de uns quarenta e cinco anos, mas com cara de sessenta. Era quase totalmente calvo. Quase todos os fios de cabelo brancos. Embaixo dos olhos azuis, muita pele caída. E pés de galinha. A pele do rosto muito vermelha, pois ele era muito branco e tinha tomado muito sol na praia. Ele estava vestindo uma calça jeans azul, com uma camiseta pólo branca com listras vermelhas.

“Você vai se arrepender profundamente do que está fazendo comigo, RO-BER-VAL.” Esta última foi pronunciada cuspida e debochada.
“Eu sei que dar para mim não vai significar nada para você, sua prostitutazinha adolescente.”
“Eu nunca quis tanto alguma coisa quanto eu quero agora que você queime no inferno.” Ela disse pausadamente.
“Uuuh... Pro inferno vai você também. Eis tão suja quanto eu, mocinha.”

Ela cospe na cara dele. Isso o irrita, ele a agarra, e tenta beijar seu pescoço. Ela tenta se desvencilhar. Mas Rob é mais forte, e consegue dominá-la. Logo, ele já está excitado. Joga ela na cama. Ela rasteja para trás, chegando à cabeceira.

“Por favor, não faça isso comigo, Rob. Por favor...” Disse ela chorando, desesperada.
“Ah, tenha dó! Você faz coisas piores por aí. Faça comigo o que você fez com aquele professor na sala de aula. Faça...” Nisso ele já estava em cima dela, segurando seus braços.

“Socorro...” Disse ela com a voz falhando, com uma falsa ilusão de que alguém a pudesse ouvir.
“Ninguém pode te ouvir, docinho.” Disse ele abrindo a calça e tirando o grande pinto rosa para fora. Com dificuldade, ele tira o short dela. Uma coisa de cada vez, pois ela estava agressiva. Tira a calcinha. E então começa o martírio. Rob entra e sai dela com força, machucando-a. E dizendo coisas como “Toma, vagabundinha.”, “É disso que você gosta, né. Então agora agüenta.” Xingava-a o tempo todo. De coisas que ela até nunca ouvira antes. Depois de uma eternidade, ele goza nela. Ela sente vontade de morrer. E então finalmente ele sai de cima dela. Mas ele não está satisfeito. Ele quer mais dela, quer humilhá-la mais um pouco. Ele senta na cama, pega Joana pelos cabelos e leva seu rosto até seu pau.

“Agora você vai me pagar um boquete bem gostoso, putinha.” Disse ele
“Nunca.” Ela disse empurrando-o.
“Ah, vai sim. Vai mesmo. Senão eu conto para a sua mãe.”
“Seu pau está mole, seu velho nojento!”
“Faz mesmo assim. Quero sentir sua boquinha delicada acariciando minha pica.”

Ela começa. O pau ameaça endurecer de novo.

“Isso...” Disse ele com os olhos fechados, e ainda segurando seus cabelos. “Passa a lingüinha nele todo. Isso...”

Ela morde o pau dele com todas as forças e ódio que ela tinha.

“Caralho!!! Sua puta desgraçada. Por que fez isso?!!”

Ele bate nela. Estapeia seu rosto. Tira o cinto pendido da calça e a açoita com ódio nos olhos.

Não adiantava ela dizer para parar, xingá-lo, dizer que ele estava matando-a. Ele continuava mesmo assim. Depois de um tempo, ele parou.

“Vou pagar para sua mãe ficar lá no hotel mais uma semana. Ela vai adorar” Disse ele com frieza. “Assim essas marcas que eu fiz em você já vão ter sumido, assim como a marca de mordida no meu pau. E fora que não dá para eu comer sua mãe com meu amiguinho doendo”

Ela já tinha sentido tanto asco, que mesmo depois dessas palavras sujas, ela não tinha mais expressão nenhuma em seu rosto. Ela sofrera demais. Ela apanhara demais. Ela fora molestada demais. Ela merecia tudo isso? Algo de muito ruim ela devia ter feito para merecer isso, ela pensava.

Nem Stephany, que prometera ir lá na casa dela mais tarde, não compareceu. E então ela ficou em sua cama. Paralisada. Nem lágrimas mais ela tinha. Durante horas ela ficou lá. Imóvel. Vegetativa. Acabada. Vulnerável. Machucada. Morta. O telefone chegou a tocar umas 3 vezes, a campainha também tocou, mas ninguém atendera. Não era Stephany, pois esta tinha a chave da casa, e não precisava tocar a campainha, ia simplesmente entrando. E mesmo se fosse, Joana não iria atender. Porque ela não conseguia levantar daquela cama. E também porque ela não tinha dado-se conta de que estavam tocando. Ela estava num estado semi-morta e não ouvia nada, ou ignorava tudo. Estava reduzida ao essencial, somente seu coração batia.




- Ana Costa Lima

2 comentários:

  1. Sado-libertinismo egosexxual, ana costa lima, que ódio todo é esse?

    ResponderExcluir
  2. Eu odeio esse Rob, ele é grotesco.
    Eu odeio essa série
    É tão podre, tão crua, tão maldosa...
    mas eu não consigo parar de ler, por que será?
    Talvez seja por que é realista, descreve a maldade em sua mais profunda raíz.
    To cansada de ler coisas bonitinhas, fofinhas...
    Menininhas que se apaixonam por vampirinhos ou anjos, e estes também se apaixonam por elas.
    As pessoas precisam levar um tapa na cara da realidade para ver que a vida não é uma maravilha, só assim para saber viver as verdadeiras partes maravilhosas de nossas vidas.
    Porque sim, no vale de lágrimas ainda há vestígios de alegrias.

    ResponderExcluir