segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Contos: Riot Girl - A filha de Lilith [pt 4]

Ação e reação.


Logo depois da moça sair da sala, o professor sai atrás. Ele lembrou que aquele seria o último dia de Joana naquela escola. E ele não queria perder o contato com ela. Ela mexera demais com ele, isso era fato. Ele sai no corredor e não vê ninguém. Só vê uma espetora gorda no portão da frente gritando para alguém voltar. Ele se dá conta de que aquilo era loucura. O que ele estava tentando ganhar com isso, afinal? Fazer com que ela fosse amante dele para sempre? Melhor tentar esquecer aquela garota de uma vez. Talvez ela tivesse sido somente um sonho. Era o que ele queria acreditar. Era surreal demais para ser crível.

Na volta para o lar, ele não conseguia pensar em outra coisa. Ele até esquecera que sua mulher pedira para ele passar no mercado. Agora já era, já estava chegando em casa. Hoje passara rápido.

E na mente dele: “Joana. Joana. Joana. Onde moras? Joana. Porque fizera aquilo? O que quer de mim?. Joana. Joana. E mais Joana.”

Chegou em casa. Estava parecendo que ele enfrentara demônios em vez de alunos o dia inteiro (e isso porque naquele dia nenhum aluno comparecera na escola, exceto Joana). Ele parecia acabado e infeliz.


Deu um beijo em seu filho que brincava no chão. E um na ponta da cabeça de sua mulher, que estava sentada no sofá assistindo o jornal. Ela olhou para ele e perguntou se estava tudo bem. Ele consentiu.


“Hoje estou muito cansado. O dia foi cheio. Preciso descansar um pouco. Ta bom, amor?” Ele disse
“Tudo bem” Disse ela, com pena do marido. “Também estamos cansados. Já estamos subindo.”


E então o professor Daniel foi tomar um banho. Depois desse encontro com sua esposa e seu filho, a consciência estava mais pesada do que nunca. Ele estava sentindo dó deles e se sentindo um canalha. O pequeno filhinho de um ano, inocente demais para imaginar que o pai traíra sua mãe com uma menina de dezessete anos. A mulher, com dó do marido por achar que ele enfrentou adolescentes malditos o dia inteiro, e chegou cansado depois de um dia estafante de trabalho, e nunca imaginaria que ele comeu aquela aquela aluna fogosa, e com aquela vontade com a qual ele nunca teve com ela.


Mas o que ele podia fazer? O que foi feito estava feito. E aquela frase de Joana ecoava em sua mente “Você será corroído pelo sentimento de que podia ter feito algo diferente hoje, mas não fez.” Se fechasse os olhos, ele até conseguia ouvir aquela voz suave e timbre gostoso de Joana pronunciando essas palavras. E imaginando ela em sua frente, com aquelas coxas grossas cruzando-se em sua frente.


Quando foi para a cama, sua mulher já estava lá e deitada para o lado. “Ainda bem que ela já está dormindo” Ele pensou. Quando se deitou, ela virou-se para ele, e o abraçou. Sentiu uma leve decepção. Fazia tempo que seu casamento já não ia bem. Mas depois do que ele vivera naquela sala de aula, trancado com Joana, ele não estava mais suportando aquilo tudo. A sua própria realidade.


“Amor, relaxa.” Sua espora dissera.
“Você não sabe o que eu enfrento lá.”
“Me conta. Eu to aqui para te ouvir”
“Amor, não estou a fim de conversar hoje. Vou dormir, e amanhã a gente conversa.”


Ela o soltou na hora, e ficou emburrada olhando para cima.

“O que foi agora? Não tenho o direito de chegar estressado pelo menos um dia?” Ele disse.
“Poxa, eu faço tudo por você. Cuido bem do nosso filho. E quando você chega, eu tenho que fingir que você não existe?”
“Eu só quero um tempo. Se eu tiver uma boa noite de sono, e sem brigar com você, amanhã acordarei bem, e a gente conversa numa boa. Porque não consegue entender isso?”


Ela ficou calada. Na mesma posição. Só que agora os braços estavam cruzados, e a boca num beicinho.


“Ah, amor. Desculpa, vai.” Ele disse aproximando-se dela. “Eu não quero brigar com você, e é por isso que eu quero dormir logo. Não quero descontar meu estresse em você. Procura me entender, por favor.”


Ela olha para ele. Sem expressão. Mas sorri, perdoando-o.

“Ah, sabe o que o seu filho fez hoje?” Disse ela abraçando-o.
“O que?” Disse ele, sem interesse.
“Disse a primeira palavrinha” Ela disse abobada.
“Sério?”
“É. Ele disse ‘papa’”


Ele sorri. E a abraça.


“Estava com saudade de você, amor.” Ela disse, mudando de assunto.
“Ultimamente estamos sem tempo, não é?” Ele disse.
“Sim. Trabalho, filho, casa, contas. É tudo novo pra gente, não é?”
“É. Mas vamos conseguir nos adaptar”

Ela começa a beijá-lo. Ele a beija também. Sua esposa era uma loira de cabelos curtos. Bonita. Mas simplesmente não era como Joana. Esta tinha algo especial, que o deixava louco. Algo jovial, algo misterioso. E que ele queria muito desvendar. Sua esposa ele já conhecia muito bem. E isso o fazia sentir algo puro por ela, talvez o verdadeiro amor. Mas por Joana ele sentia algo aventureiro, algo voluptuoso, algo carnal, impudico, lúbrico. Tudo isso misturado revirando-se em seu corpo. Era como uma droga ilícita. Ele viciara. Ele necessitava. Mas tinha que ser escondido dos outros. Disfarçar.


Ele segura nos seios de sua esposa, imaginando os seios nem grandes nem pequenos de Joana. Ele procura fazer sexo com a esposa de olhos fechados, com medo de broxar. Com medo de sua imaginação ser destruída pela realidade que estava vivendo. E isso poderia ser fatal.

Naquela noite, ele fodeu sua esposa sem vontade. Sem desejo. Por obrigação. Se ele dissesse não, achou que levantaria suspeita. Talvez ele estivesse enlouquecendo.


Ele estava confuso. Com vontade de sair correndo dali, e procurar aquela menina. Mas ele não sabia exatamente o que ela queria com ele. Talvez ela já tivesse conseguido tudo o que queria dele. E ele não queria trocar o certo pelo duvidoso. Mas que dúvida mais excitante era aquela. Ele queria mais daquilo. Ele queria aquele espírito livre junto ao dele.


Finalmente, quando a tortura terminara, e a esposa virara para o lado, ele pôde ficar a sós com seus pensamentos. Era bom pensar nela. Era bom saber que ninguém podia ler seus pensamentos. Mas naquela noite, ele estava tenso, e pensando demais. Não conseguiu dormir. Sorte que amanhã será sábado.






- Ana Costa Lima

Nenhum comentário:

Postar um comentário