sábado, 23 de outubro de 2010

Mulher Brasileira


























Ontem eu estava saindo de casa para levar meu irmão na escola, era 12:50 hrs. Quando eu sai na rua, vi uma mulher nova (devia ter uns vinte e poucos anos) com duas crianças pequenas, de no máximo 5 anos. Ela estava indo com as crianças em direção a um bar que fica quase do lado da minha casa. Quando ela chegou em frente, começou a gritar para um homem que estava lá dentro. Ela gritava coisas do tipo: "Seu traste! Você tem essa porra dessa moto, mas não presta nem pra levar seus filhos na creche!..." O que ele falava não dava para compreender, porque ele falava muito baixo. Mas imagino que nessa hora ele falou que deu dinheiro para ela ir levá-los. E ela retrucou: "Você só me deu 2 reais! Eu preciso ir e voltar, e você só me deu 2 reais! Eu vou voltar a pé por acaso?! Você só sabe gastar seu dinheiro no bar, com pinga!" Ele falou mais alguma coisa, e ela continou: "Você só sabe me bater!..." E essa foi a parte que mais me chamou a atenção, de todas as coisas inconformantes que eu ouvi naquela hora, porque além de tudo, ele ainda batia nela! Absurdo. Mas, depois que ela falou este último, eu virei a esquina e não ouvi mais nada.

Mas afinal, quem está errado? O homem por ser um traste imprestável e vagabundo (e isso é fato). Ou a mulher, por ter escolhido este traste imprestável e vagabundo para ter filhos?

Me admirou a mulher ser tão nova. E já com essa perspectiva de vida. Já com um marido desse. Não que chegue uma hora na vida que uma mulher tem que ter um cara assim. Mas ela tem opção (todas temos, mas no caso dela é bem mais fácil) porque tem uma vida toda pela frente. É bonita, enfim... Quando vejo uma pessoa assim, eu logo sinto que ela não está vivendo, está sobrevivendo. Só seu coração bate. Felicidade? Não sabe o que é. Ou não encontra com ela há muito tempo, que nem se lembra do gosto. Mas também admirei com a coragem dela de gritar no meio da rua o que a estava incomodando, o que ela achava (com razão) que não estava certo.

Hoje eu penso que a culpa não é de nenhum dos dois. A culpa é do conformismo e da má educação que ambos receberam. Se a moça tivesse aprendido a ser independente, ela não arrumaria qualquer traste para sustentá-la e maltratá-la. Ela buscaria a auto-sustentabilidade, casaria por amor, e só teria filhos quando estivesse madura o suficiente e achasse que realmente chegara a hora. E se o "traste imprestável" tivesse recebido uma boa educação, de respeitar as mulheres, no geral o ser humano... Aprendido a ser independente também (porque quando alguns homens casam, as esposas tornam-se suas mães). Aprendido que ficar de bar em bar, enchendo a cara de cachaça não leva a nada... Talvez essa história teria sido bem diferente. E aquela mulher não teria precisado gritar aquilo tudo. Mas infelizmente, essa mulher existe (assim como outras milhões neste país) e ela continua lá, em sua casa, sendo maltratada e humilhada.

4 comentários:

  1. Quando não decidimos o nosso futuro, o destino trata de nos conduzir, mas para onde, já não se sabe. Somos o que somos, sejá pelo que fazemos, ou deixamos de fazer.

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  2. Somos as atitudes que tomamos no passado. Nada além do que escolhemos.

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  3. Todo mundo é dono de si, e a vida que escolhemos é reflexo disso!

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  4. As pessoas escolhem os rumos de suas vidas sem perceberem. E ai quando algo dá errado, botam a culpa na falta de sorte... Em deus... E até no capeta! Mas na verdade dentro de nós tem um deus e também um capeta. Algumas pessoas tendem para um lado, outras pro outro...

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