quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Contos: Riot Girl - A Filha de Lilith [pt 5]

A Vida Não é Bela


“Nossa, Joana. Você é foda!” Disse Stephany ao telefone, empolgada.
“Ah, sei lá. Posso até ser... Mas porque então me sinto tão suja?” Disse Joana intrigada.
“Amiga, vamos combinar: O que você fez foi sujo.” As duas riem “Muito sujo. Mas foi foda. Eu não sei se teria coragem de fazer isso. Mas admiro muito sua coragem. O professor Daniel é realmente muito gostoso”
“É... Eu só fiz o que senti vontade na hora. Não pensei no que as pessoas pensariam de mim, ou o que eu pensaria de mim mesma.”
“Mas você não tem que pensar nessas coisas mesmo. Você tem que ser feliz. Sem pensar no que as pessoas falarão de você. Joana, as pessoas são podres, adoram julgar”
“Na teoria é bem fácil. Mas na prática, não me sinto nada feliz. E outra... Quando eu cheguei em casa, achei que veria minha mãe brigando comigo, se importando comigo. E ela tinha viajado com o namorado dela. Só volta amanhã.”
“Você é estranha, menina.” Disse Stephany “Você evita que sua mãe te dê uma surra por tudo o que você fez naquela escola, e fica triste por isso?!”
“Por tudo o que eu fiz naquela escola?? Você só pode estar louca. Eu achava que ela fosse me bater por eu ter passado a noite fora. Se ela soubesse de algum modo que eu dei para aquele garoto na festa e pro professor Daniel no outro dia, em plena sala de aula... Eu to morta. Sério, Stephany. MOR-TA. No mínimo ela me expulsaria de casa. Sério.”

Ela percebe que seu padrasto está à porta.

“Tenho que desligar, Steh.” Disse Joana olhado para ele.
“Ta. Depois eu vou aí na sua casa. Tenho que limpar meu quarto ainda.”
“Ta bom. Beijo. Tchau” Disse Joana desligando o telefone.
“Há quanto tempo está ai?” Agora para o padrasto.
“Tempo suficiente” Disse ele entrando no quarto
“Você e a mamãe não chegariam só amanhã?”
“Sua mãe ficou por lá. Eu estava meio entediado, e quis voltar. Ela encontrou umas amigas lá também, e estava se divertindo bastante, eu que estava meio deslocado no meio delas.”
“Bom... Eu vou dar uma saída então. Mais tarde eu volto.” Disse ela, levantando-se.
“Você não vai à lugar algum. Você não tem vergonha não, menina?”
“Você está louco, Rob?”
“Eu ouvi sua conversa com sua amiga. Você é uma vagabundinha mesmo. Já não acha que fez o bastante ontem, ainda quer sair de novo hoje?!”
“Você não tem direito de falar assim comigo!” Disse ela apontando o dedo para ele.
“Sua mãe vai ficar tão desgostosa em saber disso...” Disse ele com ar ameaçador.

Ela tenta imaginar a possível reação de sua mãe ao descobrir de tudo que ela fizera naquela escola

“Não, Rob. Por favor. Não conta. Eu te peço...”
“Porque eu faria isso por você? Você não é boazinha comigo. Você nem ao menos conversa comigo.”
“Você tem que entender que isso tudo é novo para mim. A separação dos meus pais... O novo namorado da minha mãe. Leva tempo até se acostumar.” Disse ela tentando convencê-lo.
“Sei... Agora você diz isso, né. Na hora de falar mal de mim para a sua mãe... Falar que eu sou um completo idiota, e ainda por cima feio... Você disse sem hesitar.”
“Ta bom, Rob. Vou ser sincera com você. Eu te acho sim um completo idiota. E aposto que só sua mãe te acha bonito. Mas não é motivo para você fazer isso comigo. Eu nunca fiz nada de tão ruim assim para você.”
“Menina... O que você estaria disposta a fazer para manter seu segredo só entre a gente?”
“Como assim?” Ela pergunta com medo.
“Eu só não conto para a sua mãe se você souber me agradar de algum jeito.” Disse ele com uma feição infame.
“Canalha...” Disse ela com nojo.
“Uma mão lava a outra, minha cara. Você me agrada, e eu não conto que você fica dando por ai para qualquer um.”
“Eu tenho asco de você.” Disse ela incrédula, se afastando
“E então... Você aceita a proposta, ou vai querer morar na rua? Porque você sabe que sua mãe com certeza vai te expulsar de casa.” Disse ele aproveitando as próprias palavras de Joana.

Ela estava sentindo uma extrema infelicidade. Tinha descoberto que seu padrasto era um tarado, aproveitador, chantagista. E só pensar que ele comia a sua mãe, e agora queria comê-la, a fazia quase vomitar. Que indivíduo sujo era aquele. Mas ela também estava achando-se suja, por tudo o que fizera naquela festa. Abusaram tanto dela, que mais um abuso não faria diferença, era o pensamento que ela queria ter, mas que na realidade não entrava em sua cabeça.

Rob era um homem de uns quarenta e cinco anos, mas com cara de sessenta. Era quase totalmente calvo. Quase todos os fios de cabelo brancos. Embaixo dos olhos azuis, muita pele caída. E pés de galinha. A pele do rosto muito vermelha, pois ele era muito branco e tinha tomado muito sol na praia. Ele estava vestindo uma calça jeans azul, com uma camiseta pólo branca com listras vermelhas.

“Você vai se arrepender profundamente do que está fazendo comigo, RO-BER-VAL.” Esta última foi pronunciada cuspida e debochada.
“Eu sei que dar para mim não vai significar nada para você, sua prostitutazinha adolescente.”
“Eu nunca quis tanto alguma coisa quanto eu quero agora que você queime no inferno.” Ela disse pausadamente.
“Uuuh... Pro inferno vai você também. Eis tão suja quanto eu, mocinha.”

Ela cospe na cara dele. Isso o irrita, ele a agarra, e tenta beijar seu pescoço. Ela tenta se desvencilhar. Mas Rob é mais forte, e consegue dominá-la. Logo, ele já está excitado. Joga ela na cama. Ela rasteja para trás, chegando à cabeceira.

“Por favor, não faça isso comigo, Rob. Por favor...” Disse ela chorando, desesperada.
“Ah, tenha dó! Você faz coisas piores por aí. Faça comigo o que você fez com aquele professor na sala de aula. Faça...” Nisso ele já estava em cima dela, segurando seus braços.

“Socorro...” Disse ela com a voz falhando, com uma falsa ilusão de que alguém a pudesse ouvir.
“Ninguém pode te ouvir, docinho.” Disse ele abrindo a calça e tirando o grande pinto rosa para fora. Com dificuldade, ele tira o short dela. Uma coisa de cada vez, pois ela estava agressiva. Tira a calcinha. E então começa o martírio. Rob entra e sai dela com força, machucando-a. E dizendo coisas como “Toma, vagabundinha.”, “É disso que você gosta, né. Então agora agüenta.” Xingava-a o tempo todo. De coisas que ela até nunca ouvira antes. Depois de uma eternidade, ele goza nela. Ela sente vontade de morrer. E então finalmente ele sai de cima dela. Mas ele não está satisfeito. Ele quer mais dela, quer humilhá-la mais um pouco. Ele senta na cama, pega Joana pelos cabelos e leva seu rosto até seu pau.

“Agora você vai me pagar um boquete bem gostoso, putinha.” Disse ele
“Nunca.” Ela disse empurrando-o.
“Ah, vai sim. Vai mesmo. Senão eu conto para a sua mãe.”
“Seu pau está mole, seu velho nojento!”
“Faz mesmo assim. Quero sentir sua boquinha delicada acariciando minha pica.”

Ela começa. O pau ameaça endurecer de novo.

“Isso...” Disse ele com os olhos fechados, e ainda segurando seus cabelos. “Passa a lingüinha nele todo. Isso...”

Ela morde o pau dele com todas as forças e ódio que ela tinha.

“Caralho!!! Sua puta desgraçada. Por que fez isso?!!”

Ele bate nela. Estapeia seu rosto. Tira o cinto pendido da calça e a açoita com ódio nos olhos.

Não adiantava ela dizer para parar, xingá-lo, dizer que ele estava matando-a. Ele continuava mesmo assim. Depois de um tempo, ele parou.

“Vou pagar para sua mãe ficar lá no hotel mais uma semana. Ela vai adorar” Disse ele com frieza. “Assim essas marcas que eu fiz em você já vão ter sumido, assim como a marca de mordida no meu pau. E fora que não dá para eu comer sua mãe com meu amiguinho doendo”

Ela já tinha sentido tanto asco, que mesmo depois dessas palavras sujas, ela não tinha mais expressão nenhuma em seu rosto. Ela sofrera demais. Ela apanhara demais. Ela fora molestada demais. Ela merecia tudo isso? Algo de muito ruim ela devia ter feito para merecer isso, ela pensava.

Nem Stephany, que prometera ir lá na casa dela mais tarde, não compareceu. E então ela ficou em sua cama. Paralisada. Nem lágrimas mais ela tinha. Durante horas ela ficou lá. Imóvel. Vegetativa. Acabada. Vulnerável. Machucada. Morta. O telefone chegou a tocar umas 3 vezes, a campainha também tocou, mas ninguém atendera. Não era Stephany, pois esta tinha a chave da casa, e não precisava tocar a campainha, ia simplesmente entrando. E mesmo se fosse, Joana não iria atender. Porque ela não conseguia levantar daquela cama. E também porque ela não tinha dado-se conta de que estavam tocando. Ela estava num estado semi-morta e não ouvia nada, ou ignorava tudo. Estava reduzida ao essencial, somente seu coração batia.




- Ana Costa Lima

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Contradições.

Eu, que sempre quis mudar esse mundo machista, onde “mulher-que-é-mulher” fica em casa arrumando a casa e cuidando do filho.


Eu, que sempre lutei a favor da igualdade.


Eu, que sempre incentivei a mulher a ir à luta, a não se acomodar. A querer ser mais do que as pessoas a limitam a ser.

Eu, que criei esse blog com idéias feministas, com contos no qual a mulher não se rebaixa a represálias ou rejeições, com letras de musicas feministas e revolucionárias. E que divulgo para que outras mulheres libertem-se de seus tabus...


Eu, justo eu, que achei que não caia em contradições.


Mas até eu. Até eu... Fui vítima de mim mesma.


Eu estudava. E eu trabalhava. Estudava de manhã, e trabalhava à tarde, na mesma escola. Na cidade vizinha. Tinha que acordar cedinho. Eu, como mulher que sou, acordava uma hora antes de sair de casa, para me arrumar. E isso fazia com que acordasse mais cedo ainda do que era necessário para chegar à escola no horário, obviamente. Para enfrentar uma linha 32 intermunicipal em horário de pico.


Eu não tinha tempo de tomar café (até teria se acordasse mais uns 20 minutos mais cedo, mas pelo amor de deus, eu já acordava cedo demais), ficava o dia inteiro fora. Às vezes almoçava, mas só quando eu sentia que não ia agüentar passar o dia sem mesmo. Eu trabalhava a tarde inteira e enfrentava criancinhas e adolescentes endemoniados.


A escola abusava de mim, pois eu era apenas estagiária de Sala de Informática e tinha que ficar lá com salas em aula vaga (não ganhava à mais para isso, não tinha faculdade e não estava no meu contrato fazer isso, mas o contrato entrava em contradição quando dizia que os estagiários deveriam aceitar as regras da escola, ou seja, tínhamos que aceitar o que a escola determinasse, mas acho que eles abusavam de nós em nos fazer de professores eventuais)


Saindo do trabalho, às 17:00 horas, pegava novamente a maldita linha 32, lotada, via tiozinhos peões voltando do trabalho de servente de pedreiro (nada contra a profissão). E pensava: Será que esse sacrifício todo que eu faço vale a pena? Eu sacrifico o meu humor, a minha saúde mental (e física) para que? Comecei a ver que aquilo não fazia sentido.


Todos os meus colegas sentiam inveja do meu trabalho. Porque eles sempre me viam no MSN e achavam que era legal aquilo. Até que era legal. Dava muito bem pra atualizar meu blog, entrar no orkut, MSN, enfim. Mas, como eu sou do contra, eu não gostava. Porque não suporto tédio, e no meu trabalho era assim: ou não tinha ninguém ou tinha “todos”, e quando tinha “todos” era um inferno. A única criança que eu gosto, é o meu irmãozinho. E eu não tinha paciência com as criancinhas que lá freqüentavam, mas tinha que ter, e eu me sentia pressionada.


Eu até que fiz amizade com alguns alunos mais velhos, mas este foi meu erro. Por ter virado amiga deles, eles também abusavam de mim. E não me respeitavam mais. Queriam cabular lá dentro, queriam mexer no meu computador administrador, enfim. Fui burra, mas era algo irrefutável e que não dava mais para concertar. E eu acabava levando broncas (mas nisso não tiro a razão da escola)


Eu sentia que aquele não era o emprego certo para mim. E qual foi o problema de sair? O problema é que agora eu acordo onze horas da manhã, não faço nada o dia inteiro. Semana que vem vou começar a estudar em outra escola, das 13:00 às 18:20 horas. Ou seja, vou dormir até 11:00 horas ainda, tomar banho, ir para a escola, voltar e entrar na Internet. Porra nenhuma o dia inteiro. Não mais sacrifícios.


Cadê meus ideais feministas? Cadê a frase que as mulheres têm que ir para a luta, sendo que troquei a luta pela boa vida de vagal? E daí que eu tava ficando estressada? E daí que eu acordava de noite, e voltava de noite? E daí que enfrentava monstrinhos e não ganhava pelo trabalho que realizava? E daí que estava estragando minha saúde física e mental? Eu saí. Eu desisti. Desisti da luta.


Mas eu reconheço. No pior dos casos, tem mulheres que nem percebem que se contradisseram. Mulheres que se dizem feministas. Mas eu reconheço: Fui preguiçosa. Me contradisse. To sem moral. Desisti sim. Mas isso não significa que desistirei das próximas. Essa luta eu perdi, mas a próxima eu ganho. E espero reconhecer sempre que me contradizer, porque só assim terei a chance de não mais errar.


Uma coisa é certa: Sempre pra frente, sempre me superando, sempre procurando reconhecer os meus erros, sempre melhorando, sempre na busca (utópica) da perfeição.

 
 
- Heloísa Vasconcelos

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Contos: Riot Girl - A filha de Lilith [pt 4]

Ação e reação.


Logo depois da moça sair da sala, o professor sai atrás. Ele lembrou que aquele seria o último dia de Joana naquela escola. E ele não queria perder o contato com ela. Ela mexera demais com ele, isso era fato. Ele sai no corredor e não vê ninguém. Só vê uma espetora gorda no portão da frente gritando para alguém voltar. Ele se dá conta de que aquilo era loucura. O que ele estava tentando ganhar com isso, afinal? Fazer com que ela fosse amante dele para sempre? Melhor tentar esquecer aquela garota de uma vez. Talvez ela tivesse sido somente um sonho. Era o que ele queria acreditar. Era surreal demais para ser crível.

Na volta para o lar, ele não conseguia pensar em outra coisa. Ele até esquecera que sua mulher pedira para ele passar no mercado. Agora já era, já estava chegando em casa. Hoje passara rápido.

E na mente dele: “Joana. Joana. Joana. Onde moras? Joana. Porque fizera aquilo? O que quer de mim?. Joana. Joana. E mais Joana.”

Chegou em casa. Estava parecendo que ele enfrentara demônios em vez de alunos o dia inteiro (e isso porque naquele dia nenhum aluno comparecera na escola, exceto Joana). Ele parecia acabado e infeliz.


Deu um beijo em seu filho que brincava no chão. E um na ponta da cabeça de sua mulher, que estava sentada no sofá assistindo o jornal. Ela olhou para ele e perguntou se estava tudo bem. Ele consentiu.


“Hoje estou muito cansado. O dia foi cheio. Preciso descansar um pouco. Ta bom, amor?” Ele disse
“Tudo bem” Disse ela, com pena do marido. “Também estamos cansados. Já estamos subindo.”


E então o professor Daniel foi tomar um banho. Depois desse encontro com sua esposa e seu filho, a consciência estava mais pesada do que nunca. Ele estava sentindo dó deles e se sentindo um canalha. O pequeno filhinho de um ano, inocente demais para imaginar que o pai traíra sua mãe com uma menina de dezessete anos. A mulher, com dó do marido por achar que ele enfrentou adolescentes malditos o dia inteiro, e chegou cansado depois de um dia estafante de trabalho, e nunca imaginaria que ele comeu aquela aquela aluna fogosa, e com aquela vontade com a qual ele nunca teve com ela.


Mas o que ele podia fazer? O que foi feito estava feito. E aquela frase de Joana ecoava em sua mente “Você será corroído pelo sentimento de que podia ter feito algo diferente hoje, mas não fez.” Se fechasse os olhos, ele até conseguia ouvir aquela voz suave e timbre gostoso de Joana pronunciando essas palavras. E imaginando ela em sua frente, com aquelas coxas grossas cruzando-se em sua frente.


Quando foi para a cama, sua mulher já estava lá e deitada para o lado. “Ainda bem que ela já está dormindo” Ele pensou. Quando se deitou, ela virou-se para ele, e o abraçou. Sentiu uma leve decepção. Fazia tempo que seu casamento já não ia bem. Mas depois do que ele vivera naquela sala de aula, trancado com Joana, ele não estava mais suportando aquilo tudo. A sua própria realidade.


“Amor, relaxa.” Sua espora dissera.
“Você não sabe o que eu enfrento lá.”
“Me conta. Eu to aqui para te ouvir”
“Amor, não estou a fim de conversar hoje. Vou dormir, e amanhã a gente conversa.”


Ela o soltou na hora, e ficou emburrada olhando para cima.

“O que foi agora? Não tenho o direito de chegar estressado pelo menos um dia?” Ele disse.
“Poxa, eu faço tudo por você. Cuido bem do nosso filho. E quando você chega, eu tenho que fingir que você não existe?”
“Eu só quero um tempo. Se eu tiver uma boa noite de sono, e sem brigar com você, amanhã acordarei bem, e a gente conversa numa boa. Porque não consegue entender isso?”


Ela ficou calada. Na mesma posição. Só que agora os braços estavam cruzados, e a boca num beicinho.


“Ah, amor. Desculpa, vai.” Ele disse aproximando-se dela. “Eu não quero brigar com você, e é por isso que eu quero dormir logo. Não quero descontar meu estresse em você. Procura me entender, por favor.”


Ela olha para ele. Sem expressão. Mas sorri, perdoando-o.

“Ah, sabe o que o seu filho fez hoje?” Disse ela abraçando-o.
“O que?” Disse ele, sem interesse.
“Disse a primeira palavrinha” Ela disse abobada.
“Sério?”
“É. Ele disse ‘papa’”


Ele sorri. E a abraça.


“Estava com saudade de você, amor.” Ela disse, mudando de assunto.
“Ultimamente estamos sem tempo, não é?” Ele disse.
“Sim. Trabalho, filho, casa, contas. É tudo novo pra gente, não é?”
“É. Mas vamos conseguir nos adaptar”

Ela começa a beijá-lo. Ele a beija também. Sua esposa era uma loira de cabelos curtos. Bonita. Mas simplesmente não era como Joana. Esta tinha algo especial, que o deixava louco. Algo jovial, algo misterioso. E que ele queria muito desvendar. Sua esposa ele já conhecia muito bem. E isso o fazia sentir algo puro por ela, talvez o verdadeiro amor. Mas por Joana ele sentia algo aventureiro, algo voluptuoso, algo carnal, impudico, lúbrico. Tudo isso misturado revirando-se em seu corpo. Era como uma droga ilícita. Ele viciara. Ele necessitava. Mas tinha que ser escondido dos outros. Disfarçar.


Ele segura nos seios de sua esposa, imaginando os seios nem grandes nem pequenos de Joana. Ele procura fazer sexo com a esposa de olhos fechados, com medo de broxar. Com medo de sua imaginação ser destruída pela realidade que estava vivendo. E isso poderia ser fatal.

Naquela noite, ele fodeu sua esposa sem vontade. Sem desejo. Por obrigação. Se ele dissesse não, achou que levantaria suspeita. Talvez ele estivesse enlouquecendo.


Ele estava confuso. Com vontade de sair correndo dali, e procurar aquela menina. Mas ele não sabia exatamente o que ela queria com ele. Talvez ela já tivesse conseguido tudo o que queria dele. E ele não queria trocar o certo pelo duvidoso. Mas que dúvida mais excitante era aquela. Ele queria mais daquilo. Ele queria aquele espírito livre junto ao dele.


Finalmente, quando a tortura terminara, e a esposa virara para o lado, ele pôde ficar a sós com seus pensamentos. Era bom pensar nela. Era bom saber que ninguém podia ler seus pensamentos. Mas naquela noite, ele estava tenso, e pensando demais. Não conseguiu dormir. Sorte que amanhã será sábado.






- Ana Costa Lima

sábado, 25 de setembro de 2010

Contos: Riot Girl - A filha de Lilith [pt 3]

Coragem Libertadora de final de ano II

Ela estava lá, caída no chão daquele quintal sujo do anfiteatro da escola. Acordou com o sol brilhante nos olhos. Devia ser umas 08:00 horas da manhã. Levantou devagar, colocou a mão na cabeça. A mistura de bebidas e drogas da festinha martelando lá dentro. Ela levantou com esforço e cambaleou até a parte de dentro do local. A visão embaçada. Ela viu que estava sozinha lá. Passou a língua nos lábios e sentiu o gosto amargo da ressaca.

Na noite anterior, os poucos restantes na festa, muito noiados, pularam o muro pouco antes do amanhecer. Nem viram Joana caída lá no chão. E mesmo se tivessem visto, teriam deixado ela lá também.

Era estranho lembrar que há apenas alguns anos ela era só uma patricinha mimada, embalista, paga-pau, sem personalidade (mas apenas não havia descoberto quem ela realmente era). Agora ela estava lá, sentindo-se a pessoa menos pura do mundo. Remorso? Não. Mais estranho ainda é que ela não o tinha.

Joana começa a procurar algo desesperadamente. Olha na mesa em cima do palco, onde outrora um garoto magnífico estava lá sentado. Magnífico e maldito. Deixara ela lá sozinha depois de dopá-la e abusar de todos os pedacinhos de seu corpo. Olha embaixo da mesa. Desce correndo e vai para a parte de fora, volta desesperada. Olha embaixo de uma cadeira. Ela sorri quando encontra o que procurava. A chave. A chave da porta do anfiteatro.

Ela abre cautelosamente. Ninguém por perto. Corre até o banheiro que fica em frente. Ela estava um lixo. Os mesmos coturnos vermelhos, a mesma camiseta rasgada Jack Daniels, e a mesma saia jeans preta, a diferença é que estavam todos sujos. Ainda bem que ainda tinha um pouco de sabonete e papel por lá. Lavou o rosto, o tórax (estava oleoso), as axilas, as partes íntimas. Ela estava com nojo de si mesma, não pelo que fizera. Pelo que aquele garoto de beleza esplêndida, porém caráter demoníaco fizera com ela. Mas não havia arrependimento.

Ela se sente um pouco melhor depois da limpeza. Era impossível lavar as marcas na memória e na consciência. Nem a queimadura de cigarro que ela ganhara no peito, para nunca esquecer daquela noite. Mas pelo menos sentia-se com forças para sair andando daquele lugar e continuar sua vida. Pelo menos agora que estava ligeiramente limpa, poderia sair de lá sem que os olhares a condenassem.

Ela sai do banheiro. Ninguém estava no pátio. Ela anda até os corredores onde ficavam as salas de aula, evitando o corredor da coordenação e diretoria. Olha sala por sala, para ver se tinha alguma alma viva. Algumas estavam fechadas. Umas duas salas tinham professores concentrados fechando médias. Ela passou pelas salas sem ser notada. Não tinha nenhum aluno na escola inteira. Ela olhou na última sala à direita do corredor. Ela vê o professor Daniel.

Professor de História. Trinta e um anos. Possuía os cabelos mais lisos que ela já vira. Castanho bem claro, quase loiro. Ele era lindo, com aqueles alargadores 16 milímetros em cada orelha. Parecia mais um tatuador skatista do que um professor. Mais uma quedinha de Joana. Ela não pagava um pau para ele, pagava uma árvore inteira, era o que ela dizia para as amigas.

Ele percebe que alguém o observa e olha. Vê Joana. Sorri para ela. Desde que ele chegara na escola, ela sempre puxou conversa com ele, então eles já se conheciam bem.

“Oi” Disse Joana. E foi entrando.
“Oi, Joana... O que está fazendo aqui?”
“Eu vim para estudar. Apesar de todo mundo ter combinado de faltar hoje, teoricamente tem aula normal, certo?”
“Certo.” Disse ele sorrindo. “Não conhecia este teu lado estudiosa.”
“Eu sou do contra... É diferente.”
“E o que pensa em ganhar com isto?”
“Tenho algo em mente... Mas não sei se daria certo.” Ela fecha a porta da sala, que por azar (ou sorte) do professor, era daquelas que se fechadas por dentro, mesmo que não trancadas, ninguém de fora pode abrir.
“Joana, eu sou casado.” Disse ele mostrando a grossa aliança em seu dedo.

Ela anda até ele graciosamente, como uma gata. Ela afasta alguns papéis na mesa e senta em cima. De frente para o professor, com as pernas meio abertas e cotovelos apoiados nas coxas, ela fala com um falso ar de aluna curiosa.
“O que é traição para você, professor?”
“É o que você está me fazendo realizar agora" Disse ele olhando suas coxas, depois seus olhos.
“Isso porque ainda nem fizemos nada?” Pergunta ela rindo com escárnio.
“Traição para mim vai além do ato. Um pensamento às vezes é muito mais sujo do que o que todo mundo considera traição.”
“Já que você pensa assim, então você acabou de trair sua mulher. O ato não significa mais nada”

Ela pega um cigarro do bolso da saia e acende.

Ele observa a feição de menina-mulher dela, e sorri. Ele realmente estava pensando no que ela dissera. Menina esperta ela era.
“Você é bem espertinha.” Ele disse, pegando o cigarro dela para um trago.
“Sou o suficiente para ter certeza que você me quer. Não tenha medo, professor. Ninguém vai ficar sabendo. E você vai gostar muito, pode apostar.”
“Eu sou muito mais velho que você. E tenho um filho também, de um ano”
“Eu gosto de homem, não de garoto. E sobre o filho... É só você não pensar nele agora. Você verá ele esta noite. Ele e sua mulher. Como todos os dias. Sua velha rotina. Você vai ser corroído pelo sentimento de que podia ter feito algo diferente hoje, mas não fez.”
O coração dele bate forte quando ela cruza as pernas na frente dele.
“Eu sei que aquele dia na excursão você estava louco para me pegar” Disse ela
“Você estava realmente muito linda. Mas eu tive que ser forte, tinha muita gente da escola lá, e até outros professores.”
“Eu sei. Por isso que não usei todo o meu charme para te conquistar. Eu fiquei com peninha de você. Não queria te fazer sofrer. Mas agora, podemos fazer tudo que quisermos, bem aqui.”

Ela desce e fica sentada no colo dele, com as pernas abertas, ainda de frente para ele.

“Você me deixa maluco, menina.” Disse ele colocando as mãos em suas coxas, perto de sua bunda.

Ela beijou o pescoço dele. Ele excitou. Ela foi subindo para o rosto. Chegou na boca. Eles tinham um gosto bom de cigarro de menta. Ele colocou a mão no sexo dela e fez uma espécie de massagem. Ela gostou. Abriu a calça dele e o masturbou. Cansada, ela parou e se encaixou no pênis dele. Ela estava em cima e comandava a situação. Ela controlava a velocidade e a intensidade.

Depois de um tempo, o professor quis mudar de posição. Ele colocou-a em cima da mesa e, de pé, fodeu mais um pouco. Ele goza dentro dela. Ela sente o prazer em cada músculo dele e finca as unhas em suas costas. Ele olha para ela de um jeito que a faz amá-lo, porque naquele momento ele estava amando-a. Amor momentâneo, amor grato.

Ele estava virando-a para lhe fazer um sexo oral. Ela então recusa, falando que precisa ir embora. Recompõe-se, arruma o cabelo e lhe dá um selinho de despedida.

“A gente se esbarra por ai, professor.” Disse ela
“Espero te encontrar de novo, Joana” Disse ele, amando-a.

Ela dá uma última olhada para aquele homem que talvez ela nunca mais voltasse a ver na vida, já que ela acabara de terminar o terceiro ano naquela escola. Ela sabia que nunca esqueceria aquele homem. Mas enfim, ela deixa o lugar. Aproveitando que a espetora abriu o portão da frente para a entrada de alguns materiais, Joana correu e conseguiu sair da escola. Deixando para trás uma espetora gritando.

Ela continuou correndo, até chegar em casa. Durante o caminho, ela estava pensando na bronca que ia levar de sua mãe. Mas ela estava preparada. Até se sua mãe quisesse bater nela, ela deixaria. Sabia que merecia. E talvez uma surra a fizesse ficar mais tranqüila com sua consciência, mais limpa. Depois ela com certeza pediria desculpa para sua mãe, e ganharia um abraço dela. E ela queria esse abraço, queria se sentir amada de verdade.

Chegando em casa, não viu ninguém na sala. Chamou a mãe. Gritou que tinha acabado de chegar. Gritou perguntando se ela não ia vir brigar com ela. Ninguém respondeu. Ela foi até o primeiro degrau da escada. Chamou. Ninguém. Foi até a cozinha. Encontrou um bilhete na geladeira. Escrito com as familiares letras de mão de sua mãe.

“Filha, sai com o Rob. Decidimos viajar de última hora. Espero que passe bem o final de semana. Pode ficar na casa da Stephany se quiser, já falei com a mãe dela. Ou fica em casa mesmo, mas tenha juízo. Volto no domingo à tarde. Mamãe te ama. Beijo.”

Nem ela mesma sabia o que estava sentindo. Felicidade ou tristeza? Ela preferia uma surra do que indiferença. Ela preferia enfrentar o tornado para depois vir a calmaria do que passar como se nada tivesse acontecido, sem lavar sua alma. Sua mãe saíra com o namorado e não estava lá para brigar e bater nela. E ela estava sentindo-se infeliz por isso. A menina do contra.

Sentia-se mais sozinha do que nunca, mas era necessário um pouco de solidão e infelicidade para ver que a vida não é feita só de luxúria.




- Ana Costa Lima

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Chegou a Hora !

500 anos de Brasil
E o que que mudou?
Quantos anos você tem?
E o que você mudou?
Se julgar incapaz
Foi o maior erro que cometeu
Um indivíduo racional
É na verdade um deus
Pensar é sua arma contra
Toda essa opressão
Só depende de você 
Fazer a revolução
É tempo de revolução
(revolução)
O poder está em nossas mãos
(autogestão)






Por: Bulimia

Contos: Riot Girl - A filha de Lilith [pt 2]

Divino Litro de Vinho
  
Joana era uma típica garota de 8ª série. Louca para ser popular. Sem sal, sem açucar. Nem mais, nem menos. Tímida. Gostava de pop rock. Queria ser como as amigas dela. Procurava falar mal das que eram "menos" que ela. Procurava imitar as celebridades da TV, ou as gurias mais populares que ela. E fazia tudo isso com um único objetivo: ser como aquelas pessoas eram, sê-las. E estava esquecendo de ser ela mesma, para ser comum.
 

Todas as amigas dela adoravam um tal de Rodrigo. Falavam o tempo todo dele. E quando ele passava, elas ficavam pulando igual galinha quando jogam milho. Joana era a mais tímida, só dava risinhos. Afinal, ela só fingia quando dizia que ele era o tesão em pessoa. Sua melhor amiga, Stephany, era muito fútil, mas uma guria bem interessante. Peitos e coxas fartas, loira natural, olhos verdes. Nem parecia ter catorze para quinze anos. Ela sempre ficava falando para Joana ir falar com ele. Porque segundo Stephany, Rodrigo olhava mais para Joana. Mas era mentira. Era só porque ela sabia que Joana era a mais tímida do grupinho e a mais sem graça. Ela adorava humilhá-la. Sentia prazer com isso. Uma humilhação indireta e falsa, por isso elas ainda se rotulavam melhores amigas.
 

Joana tinha um metro de sessente e quatro de altura. Mediana. Tinha os longos cabelos castanhos e cheios de luzes e mechas loiras (Stephany dissera a ela para fazer). Olhos azuis bem escuros. Pele clara. Sem espinhas, sem manchas, sem imperfeições. Ela usava maquiagem porque tinha que chamar atenção, realçar os olhos, a boca, e a cútis.
 

Se ela era infeliz? Não sei dizer. Ela era como elas, então talvez isso a fizesse feliz de certo modo. Afinal, era a sua meta. Mas se isso era realmente o que ela queria...Tenho certeza que não.
 

Ela era muito mais do que aquilo que demonstrava. E isso às vezes a corroia por dentro. Tinha vezes que ela chegava em casa e esmurrava a parede...E nem sabia ao certo por quê. Ela queria mais. Aquilo que ela tinha era lixo, era medíocre, era podre perto do que ela tinha dentro de si. Era como um litro de vinho tentando caber em uma única taça pequena.
 

Finalmente um dia, na saída da escola, Rodrigo chamou Stephany para conversar. Ela foi na direção dele com um sorriso de vencedora. Ela estava muito feliz. Cheia de si. Só de pensar que as amigas estavam olhando e querendo estar na pele dela, a fazia quase gargalhar.
 

Então eles começaram a conversar. Logo o sorriso dela desapareceu. Ela fechou a cara. Ficou olhando para baixo. Depois de 2 minutos de conversa ela voltou, com uma falsa cara de "Vocês não vão acreditar na novidade!!". Puxou Joana de lado.
 

"Ele quer falar com você." Ela disse secamente
"Comigo?? Quer falar o que comigo??" Joana falou com espanto
"Ele quer ficar com você, sua anta!" Ela não conseguiu conter a ira.
 

Joana emudecera. Não porque aquilo era tudo o que ela queria. E sim porque não era o que ela queria de fato. Nunca quis. E agora estava pensando: "Por que eu?? Elas são tão melhores!"
 

"Não."
 

Foi só o que ela disse à Stephany.
 

"Fica com ele todo para você." Ela completou, com nojo. E saiu andando rápido.
 

Stephany ficou boquiaberta e não emitiu som algum. Ficou só paralisada olhando a amiga se afastar. Depois olhou para Rodrigo, meio que pedindo desculpa. Ele estava com um olhar interrogativo. E ela retrucou com um olhar de "Também não entendi o que aconteceu com ela."
 

Stephany saiu andando também. Atrás da amiga. Como Joana morava na rua de trás da escola, já tinha entrado em sua casa. Stephany tocou a campainha. Ninguém veio. Então ela abriu o portão e entrou sem ser convidada. Abriu a porta. Ninguém na sala. Subiu as escadas até o quarto de Joana, naquela casa que ela conhecia melhor que até sua própria casa. Desde pequena, sempre freqüentara aquele lugar.
 
A porta do quarto de Joana estava entreaberta. Ela chamou a amiga. Ela não respondeu. Então Stephany foi entrando. Lá, encontrou a amiga se olhando curiosamente no grande espelho que tinha no seu quarto.



"Joana...Porque você fez aquilo?" Perguntou Stephany com os olhos semi cerrados e balançando negativamente a cabeça. 
"Aquilo o que?"
"Você sempre quis ficar com o Rodrigo. Todas queríamos. E quando ele finalmente escolheu uma de nós você..."
"Chega" Interrompeu Joana. "Ninguém nunca perguntou o que eu queria de fato. Vocês sempre impuseram suas opniões sobre mim e acharam que eu fosse como vocês"
"Mas, Joana..."
"Você nunca me conheceu, Stephany." Joana foi chegando mais perto da amiga. "Nunca."
Joana olhava a amiga com um olhar estranho. Stephany realmente não conhecia aquela Joana.
"Você está me assustando." disse Stephany
"Ah... Que pena, gata. Estou realmente chateada com isso" Disse Joana com sarcasmo "Mas é o que você tem que ter por mim a partir de agora"
Stephany estava olhando com um olhar interrogativo de patricinha fresca. Joana irritou-se e continuou:

"Eu estou cansada de tudo isso! De ser igual! De não ter personalidade! De imitar vocês em tudo. De..."
"Tá afim de fazer uma coisa diferente hoje?" Sussurou Stephany quase encostando em sua amiga.
"Tipo o que?" Joana perguntou receosa mas curiosa.
 
Stephany encostou seus labios nos da amiga, bem lentamente. Joana estava tensa, mas logo relaxou e gostou da idéia. E suavemente, as linguas começaram a se acariciar dentro das bocas delicadas e cheias de gloss. Foi ficando cada vez mais quente. Logo estavam se beijando agressivamente. Se apertando com uma vontade intensa, como se elas tivessem esperando por isso há catorze anos.
 
Joana pegou na bunda de Stephany, e esta fez o mesmo. Stephany tinha um balanço muito sensual. Esfregava uma das pernas no meio das pernas de Joana. Ela já estava ficando lubrificada. Stephany estava sentindo-se livre, de um jeito que nem quando fumava escondido com as amigas ela sentia. E isso a fez começar a acariciar os peitos de Joana, que logo quis fazer o mesmo. Mas elas queriam mais.
 
Joana levou a amiga até a penteadeira. Sentou-a. Rasgou sua blusa rosa de um jeito selvagem. Vira isso num filme e se sentiu realizada em fazê-lo. Desabotoou seu sutiã preto com bolinhas rosas e laçinho. Começou lambendo o biquinho dos peitos fartos e firmes de Stephany. Depois já estava com eles na boca inteira. Stephany gemia de prazer. Joana juntava os dois para chupá-los ao mesmo tempo. Stephany jogou a cabeça para trás e apoiou as mãos na superfície de madeira maçiça do lugar que estava sentada. Realmente estava gostando muito daquilo.
 
Stephany de repente desceu da penteadeira. Joana pensa que ela mudou de idéia e não quer mais aquela loucura toda. Mas Stephany segura a cintura da amiga e a empurra de leve para a cama. E então tudo ficou mais gostoso. Joana estava deitada, com Stephany em cima dela. Que começou a tirar sua blusa. Deixando Joana só de sutiã, ela começou a beijar sua barriga, torax e no meio dos seios. Logo em seguida, tirou o sutiã e chupou os peitos dela, de olhos fechados, as duas estavam sentindo seus sexos se dilatarem. Tudo parecia como se não fosse a primeira vez, como se elas já tivessem feito aquilo milhares de vezes. 



Stephany começa a tirar a calça de Joana, com bastante pressa. As duas se olham de um jeito "Eu sei que isso vai ser muito bom". A calcinha é tirada com delicadeza. Joana já está aberta como uma flor desabrochada. Toda molhada.


Stephany visualiza aquela maçã saborosa, rosada e lubrificada. Introduz suavemente o dedo lá dentro, fazendo movimentos circulares. Depois que o líquido de Joana estava quase escorrendo, ela segura as duas coxas de Joana, e lambe seu clítoris. Joana geme e se contorce de prazer. Depois lambe a vagina dela inteira, do início até os pequenos pelos que nasciam na parte de cima. Ela puxa e solta o clítoris com os lábios.


Depois de quinze minutos, Joana gozou. Ainda com a respiração ofegante, ela gira a amiga e fica em cima desta vez. Na intenção de proporcionar prazer a ela também. Foi quando ela ouviu um barulho vindo lá de baixo. Ela pára na hora em cima de Stephany e fica paralizada, tentando escutar. Como um lobo que ouve um barulho estranho e tenta identificar. Era o barulho da porta da sala abrindo e fechando. Tudo foi tão bom que Joana até esquecera que sua mãe dissera que voltaria mais cedo.


As duas estavam vestindo-se o mais rápido que podiam. Quando terminaram de colocar as últimas peças de roupa, a mãe de Joana abriu a porta do quarto. Elas sentaram-se na cama e fingiram que riam de algo.


"Você nem fez o almoço que eu tinha pedido pra fazer, Joana" Disse desanimada a mãe.
"Ah mãe. Desculpa. Eu esqueci." Disse Joana.
"Não dá pra contar com você para nada mesmo, hein." Disse a mãe, fechando a porta atrás dela e descendo as escadas reclamando.


Elas se viraram uma para a outra e soltam gargalhadas. Desta vez sinceras.


"Joana, porque exatamente estamos rindo?" Perguntou Stephany ainda com ar de riso.
"Ah... Acho que é porque é muito engraçada essa situação." Responde Joana, sorrindo.
"A sua mãe brigando com você?"
"Não... A minha mãe olhando para nós aqui sozinhas... Com o cabelo todo bagunçado e não desconfiando de absolutamente nada." Ela começa a gargalhar de novo.


Stephany levanta-se e olha-se no grande espelho. Ela estava acabada. A maquiagem toda borrada no rosto, o cabelo desgrenhado e a camiseta rosa rasgada. E então gargalhou até ficar sem fôlego.


"Estou me sentindo livre. Simplesmente eu mesma. Mas... O que será da gente agora?" Disse Stephany confusa
"Eu tenho certeza da minha sexualidade. Sou hetero. Mas o que eu sinto por você... É uma excessão à regra." Disse Joana sorrindo.
"Eu também... Eu sempre gostei de garotos. E continuo gostando. Mas sei lá... O que rola entre a gente é diferente." 
"Diferente... Mas você quer parar?" Disse Joana devagar e receosa.


Silêncio no ar. Aquela tensão. Joana engolindo em seco. Porque ela tinha gostado muito daquilo, mas tinha medo que sua amiga fizera sem pensar e agora estivesse arrependida. E parasse de falar com ela para sempre.


"Você está me devendo algo... Ou já esqueceu?" Revelou Stephany piscando, e a tensão se transformou em risos.
"Dorme aqui em casa hoje. Aí eu pago a dívida com juros se você quiser."
"Durmo sim. E o mais legal: Ninguém vai desconfiar de nada. Somos amigas de infância"
"Garotinhas patricinhas, que usam rosa, que vão bem na escola..." Disse Joana em falsete, querendo imitar seus pais ou quem quer que fosse. Já que nunca ouvira ninguém falando aquilo, mas era engraçado tentar imaginar o pensamento inocente das pessoas.


Elas riram de novo. Elas riram a tarde inteira. Elas conversaram sobre garotos. Elas não fizeram nada do que não faziam antes, exceto pela alegria intensa que elas estavam sentindo. E pelo que elas fizeram assim que anoiteceu e elas foram ao quarto para "dormir". Porque eu sei que naquela noite elas fizeram de tudo, menos dormir. Não foi estranho, não foi fútil, não foi pecador. Foi o descobrimento delas mesmas; das Joanas e Stephanys interiores que sempre estiveram ocultas; da capacidade de superarem-se e auto-surpreenderem-se; da ilimitabilidade que possuiam; da perda daquela inocencia; de algo que elas achavam que tinham e conheciam, mas na verdade nem tinham desfrutado ainda e desconheciam. Algo chamado liberdade.


E assim Joana ganhara mais uma taça para o seu litro de vinho.



- Ana Costa Lima

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Contos: Riot Girl - A filha da Lilith [pt 1]

Coragem Libertadora de final de ano


Último dia de aula do terceiro ano do Ensino Médio. Escola pública. Umas três classes se juntaram para fazer uma festa no anfiteatro da escola que não era utilizado para nada, a não ser por uma festinha regada a bebida e cigarro. Pegaram a chave com a Diretora e a partir do momento que eles entraram e se trancaram lá dentro, aquilo parecia tudo, menos uma escola.

Uma das classes participantes era a d'Ela. Para este dia ela se vestira de um jeito especial, mas nada que fugia de sua personalidade. Saia jeans preta, camiseta rasgada Jack Daniels, coturno vermelho até o joelho, liga na perna esquerda. Assim que ela entrou todos olharam. Ela era provocantemente Rock and Roll, e todos edoravam apreciar o jeito como ela lidava com isso. Um jeito foda-se. Sou bonita, sou foda, sou fatal e eu quero que você se foda. Mas devoções passageiras não eram o suficiente para ela.

Ela não era certinha, e nem queria ser. Ela fazia o que queria sem se importar com o que as pessoas falariam dela. “Ninguém é tão foda assim pra ter o direito de me julgar” era o que ela sempre dizia.

Começou a tocar “Little Sister” do Queens Of The Stone Age, e ela se libertara de vez. Ela dançava com uma sutileza agressiva, um brilho fosco, uma sensualidade que você sentia, mas não sabia explicar. Afinal, ela estava somente se mexendo conforme a música. Mas tinha algo a mais. Ela estava quase dizendo : “Poderia foder com você aqui mesmo, pra todo mundo ver”. Ela realmente estava com coragem para isso, mas assim que ela viu Ele, mudaram-se todos os planos para aquela noite.

Ela esperou o primeiro otário a se aproximar. Ele disse meia dúzia de palavras manjadas, ela recusou. Só para o garoto que ela realmente queria, perceber que ela valia a pena pois não era tão fácil assim.  O garoto que foi falar com ela era até bonitinho, mas ela não tinha culpa que sua fonte primária de tesão e orgasmos solitários estava ali presente na festa. E ela queria chamar a atenção dele.

O segundo cara se aproximou, pensando ser melhor do que o primeiro (o que não era). Ele começou falando que ela estava linda. Logo, ela já o dispensara. Não só porque o papo era fraco pra caralho, e sim por causa d'Ele. Nisso acendeu um cigarro e continuou a dançar. Então ela decidiu que não havia mais espaço para dúvidas aquela noite. Tinha que ser rápida. Pensar. Tomar uma atitude. Não ter expectativas para aquela noite. Não dar chances para  frustrações. Não mais. Ela estava cansada de esperar por algo acontecer.

Então ela começou a andar em direção a ele, que estava no palco, sentado no que era para ser uma mesa. Para puxar qualquer assunto banal, perguntou como ele tinha entrado lá, já que ele tinha até terminado os estudos. Ele respondeu falando que era só para vê-la (gracejos baratos). Os dois sorriram, mas já prevendo que nos próximos instantes estariam fazendo qualquer outra coisa, menos conversando. E foi o que aconteceu: sem muito mais papo, eles começaram a se pegar. Com uma mão ele apertava a bunda dela e com a outra o seio, tudo com uma voracidade que a fazia gemer.

Com o batom vermelho todo borrado ao redor da boca carnuda, e o êxtase da excitação no corpo, ela o levou até o quintal do anfiteatro. Quando andava, sentia suas próprias coxas roçando seu sexo, ela gostava de se sentir assim. Então deu um sorrisinho safado porém misterioso para si mesma.


Lá fora tinham só algumas pessoas fumando um baseado. Os dois foram no canto mais escuro do local. Ele encostou na parede, ela na frente dele. E continuaram a se pegar, esfomeados. Entre mordidas e chupadas na boca e no pescoço, ele levanta a blusa dela, e chupa os seus seios. Ele os morde, mastiga, dilacera e ela gosta. Ela sente os músculos de todo o corpo dele tensos, o pau latejando dentro da cueca. Ela olha a cara de safado dele. E então ajoelha-se na frente dele e abre suas calças. Os movimentos dela são fluidos, mas firmes. Doces, mas fortes.


O pau salta quando ela o liberta da cueca. Ela coloca a pica na boca e pensa "É apenas um pau. Não é uma pessoa." Sente-se feliz com o pensamento. Isso significa que ela pode fazer o que ela desejar, sem medo de represálias ou rejeições. "É um pau apenas, e ele está duro na minha garganta." Ela o abocanha com desejo, se esforçando para que aquele boquete não seja nada menos que o fantástico. Não por ele. Não para ele. Para ela mesma. Ela sabe que já é uma dádiva enorme para ele ter os lábios dela acariciando sua pica. Ela faz o melhor que pode para ela mesma. Auto-erotismo.


Suga o cacete duro para dentro de sua garganta. Ali, ajoelhada no chão de um quintal escuro no anfiteatro da escola, diante de um garoto que por anos ela desejou, mas que nunca teve coragem de se aproximar, ela sente uma felicidade intensa, porém sabe que é instantânea, mas nem liga. O que ela mais quer é aproveitar cada segundo com aquele cara. E então passa a língua na glande e olha para cima, a fim de observar a feição dele. Ele olha para baixo, já bastante mais relaxado. Em êxtase, os corpos se entendem. Ela lambe o pau com a cara mais safada que consegue fazer, enquanto imagina como será a visão que ele tem dela agora. Um privilégio para ele deve ser. Ela se envaidece em imaginar a si mesma em terceira pessoa.

Algum tempo depois, ele goza. Ela sabe que, se ela engolir aquela porra, ele se sentirá o cara mais sortudo do mundo. Ela engole e continua lambendo enquanto sente a respiração ofegante dele, a pica amolecida e sensível ao toque. Ambos tiveram o maior prazer possível ali naquele quintal escuro e ordinário do lado de fora do anfiteatro da escola, sexo sujo e libertador. O prazer teve a mesma causa. Mas não a mesma conseqüência. Engole a porra, mas nunca engolirá o orgulho.









-Ana Costa Lima

Machismo vem do berço

Posso estar em coma e você nem perceber
Posso ser sol, posso ser chuva e sem mais me entorpecer
Posso seguir meus próprios passos e te encontrar nos meus acasos

Porque eu sou Lucida, feminista, independente e de atitude
A minha repulsa é ver você dominada por um cara
que se acha no direito de se engrandecer.
Mas esses mentes-vazias terão que me entender

Revolução!
Mulher não é nenhum objeto
Revolução
Nem inferior

Fraco é você que se diz superior
E acha que garotas não têm nenhum valor
Somente o fútil, o comum e o supérfluo lhe agradam
Não me intimidam suas idéias, não significam nada
Desprotegida está sua mente pra revolução que lhe aguarda


Revolução!
Mulher não é nenhum objeto
Revolução
Nem inferior




Musica feita por: Lucida

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A coisa real

trasEu tenho essa idéia louca, oh e é tudo como num circo
Eu tenho essa idéia louca, oh e está rastejando na superfície
Por que não dirigimos a noite toda e acordamos em Loredo?
Eu quero dirigir a noite toda e acordar em Loredo.

Eu tenho algo a dizer, e está parecendo um segredo
Eu tenho algo a dizer, oh e está rastejando como um segredo
Eu quero dirigir a noite toda e acordar outra pessoa
Por que não dirigimos, dirigimos, dirigimos até nada parecer certo?

Por que não tratamos isso como 'a coisa real'?
Por que não tratamos isso como 'a coisa real'?

Eu tenho algo a esconder, oh e eu sei que você vai encontrar
Eu tenho essa criatura dentro de mim, e você sabe que está subindo por detrás dela
Por que não chama meu nome como fez quando estava sozinho?
Por que não me deixa solta 'é a chance de correr pra mim'?


Por que não tratamos isso como 'a coisa real'?
Por que não tratamos isso como 'a coisa real'?

A estrada é real e eu estou sozinha.
Por que não cantamos isso como uma doce real canção?

Eu tenho essa idéia louca, e está queimando dentro de mim
Eu tenho essa idéia louca, oh está me desatando
Eu quero dirigir a noite toda e acordar com sua pele quente
Por que não nos abraçamos forte e só deixamos todas as coisas boas aqui?

Por que não tratamos isso como uma coisa real?
Por que não tratamos isso como 'a coisa real'?
Yeah Yeah
Por que não tratamos isso como 'a coisa real'?
Por que não tratamos isso como 'a coisa real'?



-Sahara Smith
http://www.youtube.com/watch?v=16cCkDmZRRQ

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Mulher no volante, Revolução constante.

Outro dia, entrei num ônibus da linha 32 intermunicipal
06:30 da manhã, horário de pico.
Quando subi as escadas, fiquei surpresa e feliz com algo que vi.
Uma mulher dirigindo um ônibus.

Até então, só tinha visto mulheres como cobradoras.
Motoristas mulheres mesmo só tinha visto em lotações municipais mesmo.
Uma mulher dirigindo um ônibus intermunicipal, em horário de pico (super lotado) pra mim foi legal de ver.
E detalhe: fiquei mais feliz ainda quando fui rodar a catraca e vi que a cobradora também era mulher.
Não que eu queira que as mulheres "dominem o mundo"; ou que só elas trabalhem e os homens não.
Eu só fiquei feliz mesmo porque eu vi que o preconceito aos poucos está se dissolvendo.
Fico feliz em ver que a sociedade está evoluindo.

Se fosse há alguns anos, isto seria inviável.
Uma mulher trabalhando como motorista era algo estranho de se ver.
Hoje é normal.
É claro que ainda há aqueles tipos de preconceito com as mulheres no transito.
Como por exemplo, se acontece uma "barbeiragem", antes mesmo de ver a cara do motorista, já imaginam que seja uma mulher.
Esse preconceito surge até das próprias mulheres.

Uma vez presenciei uma cena de preconceito de mulher para com outra mulher:

Um carro estava fazendo o retorno pra pista, e foi com tudo na frente do outro carro. Não pegou, mas passou bem perto.
E uma mulher que estava do meu lado falou :

"Nossa, que louca!!"

"Como assim 'que louca' se você nem sabe se é mulher ou homem?"  Eu disse.

Nisso, passamos pelo carro da "louca", e vimos que se tratava de um homem no volante.
Há !
Ela ficou muito sem graça em ver que era um homem.

Eu acho, e espero, que ela tenha aprendido pelo menos um pouquinho nesse dia.
Se toda vez que ocorrer uma situação parecida com esta, ela lembrar e não tirar conclusões precipitadas de novo, eu já ficaria feliz.


Mas é isso, espero ver muitas outras vezes mulheres dirigindo, tendo isto como trabalho ou não.
E também não deixar de ver homens neste ramo.
Porque nada me deixaria mais realizada do que se todos os empregos - sem exceção - tivessem homens e mulheres exercendo, em porcentagens iguais.



- Heloísa Vasconcelos


Le feminisme ou la mort ! 

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Minha rebeldia ainda me mata

Estou sentindo algo muito estranho. Faz dias já.
Parece que eu não pertenço mais a este lugar
Escola, trabalho. Parece que era pra ter mudado eles faz tempo
Mas continuo aqui por birra
Eu quero estar aqui
Mas não quero, ao mesmo tempo.
Só a sensação de não pertencer mais não era o bastante
Pra me fazer sumir.
Agora o Universo está conspirando contra mim.
Pra me fazer ir embora
Conhecer pessoas que eu não queria conhecer
Não ver pessoas que eu não queria deixar de ver.
Pessoas quais só de lembrar, me faziam ter forças de aqui estar.
E que muito provavelmente nunca mais verei.

Minha rebeldia ainda me mata.
Não sou uma boa filha
Não sou uma boa estudante
Não sou uma boa profissional
Não sou uma boa amiga
Não sou uma boa garota

Não sou uma boa filha porque questiono demais, sou feminista demais.
e porque vou mal na escola, e isso já leva ao fato de não ser boa estudante porque odeio os professores, as matérias, o método de ensino deles, o descomprometimento deles.
Não sou uma boa profissional porque gosto muito de conversar, de curtir com os amigos, e não deixo de fazer essas coisas só porque estou trabalhando.
Não sou uma boa amiga porque vou abandonar todo mundo, só porque não me sinto mais tão bem neste lugar.
Não sou uma boa garota por tudo isso.

Mas quer saber...Eu adoro não ser uma boa garota
Porque só assim eu sinto que minha existência não é irrelevante.
Não quero e não vou me esforçar pra ser boa, e não me reconhecer mais.
Não sentir a mesma emoção de quebrar as regras de que sinto hoje, de fazer o que sentir vontade de fazer.
Eu quero continuar sendo assim. Eu não quero ir embora.
Mas eles querem que eu vá.
Eles estão fazendo de tudo para que eu vá.
Tanto que não aguento mais ficar aqui.
As coisas que andam acontecendo...Me fazem querer botar fogo neste lugar.
O lugar que me acolheu, mas que não me entende mais.
Não entende que eu não sou como as outras, que eu não sou boa nem boba
E que eles nunca deviam ter deixado esse cargo para mim
Porque eu não mereço.
E assim terei que deixar todas as coisas boas que restam neste lugar.
Meus amigos, meus amores, e até meus inimigos.

Mas quer saber...Se for para morrer com a rebeldia na alma, morrerei.
Porque mudar minha personalidade é uma coisa inviável para mim
Impossível.

Isso são só confissões de uma feminista, boêmia e rebelde.
Ignorem.
Até então eu deixaria como rascunho,
Mas algo mais forte me fez apertar o botão "Publicar Postagem"
Leiam os outros posts que eu escrevi quando não estava triste, confusa, irada, deprimida e com vontade de ir embora deste lugar.


- Bruna de Souza Magalhães


Live fast, die young !


terça-feira, 14 de setembro de 2010

Brinquedinhos da Vida

Já se perguntou por que as meninas gostam tanto de rosa e os meninos são tão "durões"?
Ou por que as meninas brincam com bebês da Estrela enquanto os meninos com carrinhos da Hot Wheels?
Por que meninas ganham mini-pias de lavar louça, forninhos de brinquedo no Natal, enquanto os meninos ganham bolas, video-games?
Simples: Porque os pais deram a eles.

"Mas porque a criança pediu."

Pediu porque você fez a a menina acreditar que ela é sensível, vulnerável, o mais delicado dos seres. Pediu porque ela vê a mãe (nunca o pai) lavando louça, cozinhando, cuidando do irmãozinho mais novo, e como ela é do mesmo sexo, ela acha que nasceu para fazer aquilo também. Então ela quer "brincar" de fazer o que a mãe faz. E ela gosta tanto de rosa porque desde que nasceu, a mãe só enche ela de coisa rosa, como se outra cor fosse proibida para ela, ou se ela ficasse bonita só de rosa. Pelo menos 1 acessório tem que ser dessa cor.

No caso dos meninos, eles são criados para serem os machões, os guardiões, os que estão à frente da família governando-a. Eles ganham carrinhos - porque um dia eles vão dirigir. Eles nunca ganham bebês da Estrela, como se eles não fossem ter filhos também - A diferença é que quem vai cuidar vai ser a mãe. Eles são ensinados que homens não choram - como se também não tivessem sentimentos. Os meninos (garotinhos) odeiam rosa porque eles só vêem as meninas usando. E eles não querem parecer meninas, de jeito nenhum. Os pais ensinaram que existem muitas diferenças entre os dois.

O maior medo dos pais quanto a isto, é que tratando os filhos com igualdade, eles acham que estes virarão homossexuais, ou terão mais tendência quanto a isto. É aí que eles se enganam. Não é só porque está tratando com igualdade que a menina será lésbica e o menino homossexual. Porque se é para eles serem gays, eles serão de qualquer jeito: tratando com diferença ou não. Mas para um mundo mais igualitário, começa-se na educação dos filhos.

Se um garotinho chega em casa falando que arrumou uma "namoradinha", é a maior festa na casa e no quarteirão.


"Meu filho é o maior garanhão"


Se uma garotinha chega falando que tem um "namoradinho" na escola, surge a preocupação.


"Namoradinho?! Com essa idade? Não pode! Que maldição"


Humm... Com o guri tudo bem, né. Porque quanto mais ele pegar, mais ele é o fodão. 
Com a guria, quanto mais ela pegar, mais ela é um corrimão.


O machismo está na criação.

Um exemplo: Há um tempo, surgiu a moda de meninos usarem camisetas rosas. Começou com rosa claro, hoje tem até rosa Shocking. Mas enfim, eu já vi vários garotinhos (crianças) usando. Ou seja, não é porque eles nasceram odiando rosa. É só porque eles não querem parecer com meninas. Mas como eles viram que outros garotos estavam usando, e que se ele usar não vai ser chamado de viado, ele usa numa boa. E até se acha.

"O que você quer que eu faça então? Que eu dê bonequinhas pro meu filho?"

Não necessariamente. Você só não precisaria separar tantos os sexos. Fazer seu filho pensar com tanta certeza de que mulher é assim e homem é assado. Mulher tem que ser frágil, delicada e os homens durões, desleixados.

Ser feminina não necessariamente quer dizer que você é o ser mais delicado do Reino das Fadas. Significa que você é mulher, e gosta de se sentir bonita, se sentir bem com você mesma, que ama ser mulher.

Ser masculino não significa que você tem que ser o mais bruto dos ogros do Reino do Shrek. Significa que você é homem, decidido em sua sexualidade, que gosta de ser homem.

Não estou dizendo também que não existe diferença nenhuma entre homem e mulher. Mas que elas são mínimas, e não influenciam na sociedade machista em que vivemos, quero dizer, não são diferenças tão afluentes. Nada que não permita que uma mulher ocupe um cargo importante. Nada que não permita que ela ganhe o mesmo que um homem - realizando as mesmas funções - porque essas diferenças não são de capacidade de trabalho, ou de mais burro ou menos burro. São diferenças natuais, sobrevivenciais.


- Heloísa Vasconcelos


Le feminisme ou la mort !