quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Alexandra Kollontai: Uma feminista como Comissária do Povo

"O capitalismo carregou para sobre os ombros da mulher trabalhadora uma carga que a esmaga; a converteu em operária, sem aliviá-la de seus cuidados de dona de casa e mãe.
Portanto, a mulher se esgota como consequência dessa tripla e insuportável carga que com frequencia expressa com gritos de dor e lágrimas.
Os cuidados e as preocupações sempre foram o destino da mulher; porém sua vida nunca foi mais desgraçada, mais desesperada que sob o sistema capitalista, logo quando a indústria atravessa um período de máxima expansão". ( A. Kollontai in Comunismo e Família, 1920)

Quem foi Alexandra Kollontai ( 1872-1952)


Nascida de uma família rica, cujo pai foi o general ucraniano Michael Domontovich, Alexandra Kollontai nasceu em 31 de março de 1872, na Finlândia. Com larga dedicação aos estudos incentivada pela família em colégios da elite, aos quinze anos preparava-se para prestar exames no Liceu masculino o que lhe permitiria obter o título de professora e lecionar em escolas primárias.
Concluídos os estudos, porém, passa a estudar francês e dedica-se também, intensamente ao Estudo da literatura russa, sonhando, então em ser escritora.
Em 1893, apesar da oposição dos pais, casa-se com seu primo de terceiro grau Vladimir Kollontai, também oficial do Exército, advindo de família pobre cujos pais foram expulsos de suas propriedade no Cáucaso por autoridade czaristas e que fora educado pela mãe professora.

O casamente faz Kollontai questionar a sua vida e a da maioria das mulheres de sua época:

"Amava meu belo marido e dizia a todos que era extraordinariamente feliz. Mas essa felicidade parecia manter-me prisioneira. Eu queria ser livre. O que entendia eu por isso? Eu não queria viver como viviam todas as minhas amigas e conhecidas recém-casadas. O marido ia trabalhar e a mulher ficava em casa, dedicando-se à cozinhar, fazia as compras domésticas.”

Vê-se atraída pelo marxismo que naquele momento penetra com muita intensidade na Rússia, provocando discussões em círculos universitários e entre a juventude de um modo geral.
Dedica-se a escrever sua primeira novela que trata da igualdade de direitos entre homens e mulheres. O livro narra a vida de uma mulher solteira, próxima dos 40 anos que trabalhava e vivia sem amor e que se apaixona por um rapaz mais jovem, que lhe propõe partir para o exterior, para onde ele viaja a trabalho. De uma forma que contrariava todos os costumes de então, o personagem propõe à sua amada que os dois estejam juntos enquanto durar a viagem, vivendo como "camaradas " e que, após regressarem, continuem a relação, porém, livre e independente um do outro. O texto foi enviado ao escritor Korolenko, considerado o melhor conhecedor de literatura da época, que o reprovou por preconceitos morais.

Além dos cuidados com o filho Mikail, que chega no segundo ano do casamento e da atividade literária, Alexandra participa de grupo de um círculo literário - que realiza inúmeras discussões políticas - e realiza um trabalho educacional como voluntária entre pobres da periferia da então capital russa.

Já em 1898 atua como simpatizante dos socialistas, realizando pequenas missões - como o transporte de documentos secretos - sem no entanto ingressar formalmente no Partido.

Resolve, então, abandonar o casamento por causa, segundo ela, da "tirania do amor" estabelecida pelo marido. Ingressa no Partido Social Democrata Operário Russo (PSDOR) e, pouco depois, parte para a Suíça, a fim de estudar marxismo.
Na Universidade, conhece a obra de Kautski e de Rosa de Luxemburgo e torna-se, a partir de 1899 propagandista do PSDOR, escrevendo artigos e fazendo palestras que expunham a política do partido.
No ano seguinte, dirige-se para a Inglaterra, interessada em estudar o movimento operário daquele país. Regressando à Rússia, após alguns meses, escreve inúmeros artigos e torna-se uma destacada militante socialista.

Em 1905, participa ativamente da Revolução, atuando no movimento de mulheres. Encontra-se com Lênin, pela primeira vez, em uma reunião clandestina, tornando-se amiga do dirigente bolchevique e de sua esposa. Neste mesmo ano, encontra-se com a dirigente socialista Vera Zasulich, pedindo-lhe conselhos sobre como organizar o trabalho entre as operárias e por onde começá-lo.

No inverno de 1905-1906, além de realizar um trabalho de agitação entre as massas, trava um combate político com as feministas, "
defendendo a idéia de que para a social-democracia não existia o problema feminino separado". Realiza uma série de palestras sobre o papel das mulheres na economia, a história das relações conjugais etc. difundindo as idéias socialistas em relação à questão da libertação da mulher. A partir de então por cerca de 10 anos, participará da fração menchevique do PSDOR.

No sétimo Congresso da II Internacional, é a única delegada mulher da delegação russa. Juntamente com Clara Zetkin, propõe a realização de campanhas em favor dos direitos das mulheres trabalhadoras.

Dois anos depois, organiza um clube de mulheres, sofre várias perseguições por sua atividade política, despertando particular ódio dos órgãos de repressão por sua origem burguesa e de família de militar. Foge o exterior onde ficará por mais de nove anos, de dezembro de 1908 até março de 1917. Durante este período atuou em defesa do socialismo e, particularmente, na luta das mulheres, na Alemanha, Inglaterra, França, Suécia, Noruega, Dinamarca, Suíça, Bélgica e Estados Unidos. Neste período publicou aquela que é considerada sua mais importante obra "
A sociedade e a maternidade".

Ingressa no Partido Social Democrata Alemão, trabalhando como agitadora, conferencista e escritora. Apenas em 1915, ingressou no Partido Bolchevique posicionando-se de forma definitiva em relação à divisão entre as duas alas principais do socialismo russo: bolcheviques e mencheviques.

Neste momentos políticos cruciais em que, a II Internacional dividi-se diante da posição majoritária no seu interior de apoio dos partidos operários às burguesias nacionais diante da I Grande Guerra, Alexandra Kollontai organiza, como uma das principais dirigentes socialistas internacionalistas, a delegação norueguesa para a Conferência de Zimmerwald. Escreve, então, a pedido de Lênin, o folheto intitulado " Quem necessita da guerra ".

Regresando à Rússia, em 1917, após a revolução de fevereiro, Alexandra participará ativamente da luta do Partido Bolchevique pela conquista do poder pelo proletariado. Delegada do Soviete de Petrogrado edita o jornal "
A Operária" e organiza o primeiro Congresso das Mulheres Operárias de cidade em que se organiza o combate do partido entre as operárias.
Após a Revolução de Outubro, será a única mulher a ter um cargo no primeiro escalão do governo, tornando-se Comissária do Povo (equivalente a ministro de Estado) do Bem Estar Social e participando ativamente da elaboração da novas leis do Estado soviético sobre os direitos da mulher, o casamento, a família etc., a mais avançada legislação em favor dos direitos da mulher de todos os tempos.

Nestes anos revolucionários escreve,
 Romance e Revolução , enfocando as dificuldades da vida dos revolucionários na após a vitória do proletariado em 17. Também neste período publica, entre outras obras ,"A mulher moderna e a classe trabalhadora", "Comunismo e família", e a uma das suas obras mais divulgadas "A nova mulher e a moral sexual". Dentre as novelas destaca-se "Amor Vermelho" , "Irmãs" e "O amor de três gerações".
Em "Comunismo e Família" Kollontai escreveu:
"Se manterá a família em um Estado comunista? Persistirá na mesma forma atual? São estas questões que atormentam, nesse momento, à mulher trabalhadora e a seus companheiros, os homens.
Não devemos achar estranho que nesses últimos tempos este problema perturbe a mente das mulheres trabalhadoras. A vida muda continuamente diante de nossos olhos; antigos hábitos e costumes desaparem pouco a pouco. Toda a existencia da familia proletaria se modifica e se organiza de uma forma tão nova, tão fora do comum, tão estranha, como nunca podemos imaginar.
E uma das coisas que mais causa perplexidade na mulher, nesses momentos, é a maneira como foi facilitado o divórcio.
De fato, em virtude do decreto do Comissario do Povo de 18 de dezembro de 1917, o divórcio deixou de ser um privilégio acessível somente aos ricos; de agora em diante, a mulher trabalhadora não terá que esperar meses e, inclusive, até anos para que seja julgado seu pedido de separação matrimonial que dê a ela o direito de separar-se de um marido alcólatra ou violento, acostumado a espancá-la. De agora em diante poderá se obter o divórcio amigavelmente dentro do período de uma ou duas semanas, no máximo.
Porém, é precisamente esta facilidade para obter o divorcio, fonte de tantas esperanças para as mulheres que são desgraçadas em seu matrimônio, o que assusta outras mulheres, particularmente aquelas que consideram o marido como o "provedor" da família, como o único sustento da vida, a essas mulheres que não compreendem que devem acostumar-se a buscar e a encontrar esse sustento em outro lugar, não na pessoa do homem, mas sim na pessoa da sociedade, do estado".

Aos 45 anos, casa-se pela segunda vez, com Pavel Dibenko, marinheiro e revolucionário de grande prestígio, que após a Revolução passou a exercer funções no Comissariado do Povo para a Marinha, 17 anos mais jovem do que ela. Esse segundo casamento irá durar por cinco anos.

Opondo-se aos tratados de paz em separado com a Alemanha, assinado por León Trotski, em nome do governo soviético, Kollontai vai renunciar ainda em 1918, ao cargo no governo.
Naquele ano, escreve "
O Comunismo e a Família" e organiza o I Congresso das mulheres Operárias da Rússia, no qual é criado o Zhenutder, departamento de mulheres do Partido Comunista (novo nome do PSDOR), presidido, primeiramente por Inessa Armand.

Em 1920, depois de um ataque cardíaco sofrido por Inessa, Kollontai assume a direção do Zhenutder, juntamente com o Secretariado Internacional de Mulheres da Internacional Comunista - III Internacional, organizando uma intensa campanha nas fileiras do partido russo em defesa da mulheres. Em 1922, integra a Oposição Operária e é destituída da direção do Departamento de Mulheres do PCUS.

Posteriormente, assume o cargo de embaixadora da URSS em diversos países, sendo a primeira mulher do mundo a ocupar o cargo de embaixadora: de 1923 a 1925, na Suécia, entre 19126 e 1927, no México, de 1926 e 1930, na Noruega e de 1930 a 1945, na Suécia.
Alexandra Kollontai morre em Petrogrado no dia 9 de março de 1952.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011


Olá, me chamo Beatriz, a nova mais nova blogueira do  Revolução Feminista, queria começar a criar textos para o blog com um tema bem bacana. E com alguns acontecimentos queria deixar claro o significado e o objetivo do feminismo, e o significado do machismo, assim, mostrando as diferenças, espero poder ajudar!
Significados e diferenças:
O feminismo é um movimento que prega a igualdade entre os sexos. O machismo é a atitude de quem não aceita a igualdade de direitos entre o homem e a mulher, achando que o homem é superior a mulher.
Fiz esse texto, pelo fato de estar cansada de ver pessoas tratando o feminismo como uma coisa ridícula como o machismo e inútil. A grande diferença entre os dois é o seguinte fato, nós feministas não queremos ser superiores, só não queremos ser submissas. O machismo não aceita a igualdade de direitos entre os dois sexos, sempre querendo ser superior a mulher. Só queria deixar claro isso, feministas NÃO QUEREM SUPERIORIDADE DE NENHUM DOS DOIS SEXOS,e sim, IGUALDADE!
Meu email é:  beatriz_mindflow@hotmail.com . Obrigada!


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Primeira Aula



Olá
Eu sou a Marina nova blogueira do Revolução Feminista e este é o meu primeiro post.
A duas semanas, desde que fui convidada a ser um das escritoras deste blog, pensei em como começaria a tratar de alguns assuntos, que são um pouco frágeis de se expor, como a opinião feminina.
Ao longo dos tempos, nós ( mulheres) sabemos que é difícil dizer "Eu sei" ou "Eu quero" então é complicado começar a argumentar sobre algo quando já está sem 'moral' alguma.
O jeito que vou tratar de assuntos aqui será espontâneo, noticias verídicas que acontecem todos os dias. E a minha finalidade não é chocar ninguém e sim mostrar que a sociedade ainda vive como 200 anos atrás, mas agora, com a tecnologia.
Confesso que não me rotulo como feminista, ou qualquer outro tipo de rótulo que exigi mudar pensamentos ou comportamento. Sou mulher e  pretendo informar ao leitor que existe muito mais que o mundo dele (a) e que opiniões podem ser modificadas se bem explicadas, ou não.
Pretendo estudar o blog em aulas e entender qual é a motivação do leitor em cada post apresentado.
Espero ajuda-los e aprender muito.
até.

Unicórnio Saltitante na Terra dos Pôneis

Porque a maioria dos homens odeia o feminismo?
Porque eles não sabem o que é.


A maioria dos homens têm uma falsa idéia do feminismo. Porque eles acham que é uma afronta direta a eles. Uma ameaça.
Eles acham que feminismo é a mulher fazer o homem de escravo. "Roubar" o emprego dele e fazê-lo lavar a louça enquanto ela assiste televisão e faz as unhas.
É claro que não é bem assim, pelo contrário, de jeito NENHUM é dessa maneira. O feminismo é a plena igualdade. Nós não vamos "roubar" o seu emprego, nós vamos competir de igual para igual e consegue quem for o melhor. E quem conseguir, seja o homem ou a mulher, não vai ter roubado nada de ninguém, pois vai ter conquistado uma coisa que ela batalhou e se preparou para isso.


E a questão dos afazeres domésticos, todo mundo tem que fazer porque todo mundo suja louça, roupa e a casa. Quando um casal mora junto, a casa não é mais de um do que do outro. Os dois moram nela e os dois são responsáveis pela manutenção da mesma. Nada mais justo, correto?
Tem homem que acha que o feminismo é uma afronta porque são pessoas acomodadas com o padrão de família que sempre viram. O problema é que cada família é uma família. Tem lares que a mulher faz o serviço da casa e o homem trabalha. E vice-versa. Tem casa que os dois trabalham, e os dois fazem as tarefas domésticas juntos. It doens't make sense to you?


Os homens (e mulheres) que realmente sabem o que é o feminismo e para que veio, não saem por aí dizendo que é bobagem. Os que sabem, defendem. Porque sabem que feminismo não é um bicho de sete cabeças e não faz nenhum mal para ninguém. Pelo contrário, nós só melhoramos como seres humanos.


Tem pessoas que têm idéias feministas, mas não admitem que são de jeito nenhum. Eu não entendo essa vergonha do feminismo. Não há mal nenhum em gritar "EU SOU FEMINISTA SIM". Isso é atitude! Ser feminista é motivo de orgulho, não de vergonha. Muito sangue foi derramado por esses ideiais!


Pode também ser o "ismo" do feminismo que assusta as pessoas. Tudo que tem ismo no final dá a impressão de algo muito sistemático que deve-se seguir e idolatrar fervorosamente, como se fosse uma religião. Sinceramente, pra mim o feminismo poderia ter qualquer nome. Até mesmo se fosse chamado de "Unicórnio Saltitante na Terra dos Pôneis". Eu procuraria conhecer e saber do que se trata esse tal Unicornio e se eu concordasse com as idéias, eu sairia por ai pregando todas as idéias do "Unicornio Saltitante na Terra dos Pôneis", criaria Blogs defendendo e discutiria até o fim por ele, por que não??


Então, o recado que eu vou deixar e que eu gostaria muito que essas pessoas ouvissem é: Você não é mais aquela criançinha que diz pra mamãe "Ahhh não gosto disso" sem ao menos ter provado. Conheça a fundo as coisas, procure entender e se informar, depois que você souber realmente qual o significado, você diz se gosta ou se não gosta, e o porquê. Entendido??



Monike Alves Lopes (Nikk)

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O que é felicidade


O que é felicidade? Felicidade existe? você é feliz?
A felicidade é grande missão de vida do ser humano, é comum ouvirmos todas essas perguntas acima porém raramente paramos pra pensar sobre o real significado da felicidade. De acordo com o dicionário a definição de felicidade é "estado de uma consciência plenamente satisfeita;satisfação, contentamento,bem estar."Já o Dicionário básico de filosofia amplia um pouco a visão de felicidade citando-a como: "Estado de satisfação plena e global de todas as tendências humanas".
Refletindo sobre as citações acima podemos notar que existe ou não felicidade, existem momentos de satisfação, logo a Felicidade é um estado de espirito. Nenhum ser humano está feliz todos os dias ele vive momentos felizes ou tristes depende da experiência vivida naquele instante. Nunca estamos satisfeitos com nós mesmos ou com o que reage a nossa volta há sempre alguma coisa que gostaríamos que mudasse. outro exemplo claro disso é na vida somos obrigados a maioria das vezes a fazer coisas e não gostamos então como dizer que se é feliz fazendo algo por necessidade?
Você tem a capacidade de estar constantemente feliz ou triste durante o dia inteiro todos os dias , aposto que não existe uma grande variação de sentimentos e ai se encontra a diferença do "ser" ou "estar". Afinal se felicidade realmente existe ela se encontra nos pequenos gestos nas coisas mais simples que fazem a diferença um simples bom dia pode ter um efeito surpreendedor.

Amélie B.D

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Hoje postarei um ponto de vista bastante particular, que em muito pode incomodar a quem lê ou não.
É estranho como agora muitas dizem lutar por suas liberdades de gênero,
atribuindo à igualdade quesitos de superioridade, direitos e direitos e blabla blabla...
a questão é: igualdade também atribui DEVERES, RESPONSABILIDADES e, principalmente hoje POSTURA.
Não adianta dizer-se mulher pelo fato de vestir o que quiser, transar com quem quiser, falar o que quiser.
Existe muito mais além disso. Existe a postura de não se justificar ou pedir aos outros justificativas.
É frequente uma garota fazer comparações com homens ou fazer comparações com outras garotas, o velho ''eu não faria isso'', mas não olha para si mesma e questiona o que tem feito para merecer respeito e importância.
Fujo aqui então de conceitos básicos só de feminismo ou femismos ou discussões de gênero sexual.
Me refiro a igualdade humana, e as potencialidades que todos temos como seres humanos de principios falhos
e partindo deste principio as opiniões tem mais peso e veracidade
e não se tornam simples bate panelas de ''minininha modernosa''.

sábado, 22 de outubro de 2011

Marguerite Yourcenar

08/06/1903, em Bruxelas (Bélgica)
17/12/1987, Bar Harbor (EUA)



Marguerite Yourcenar nasceu em 1903, em Bruxelas (Bélgica). Yourcenar é um anagrama imperfeito de seu sobrenome verdadeiro: Crayencour.

Foi a primeira mulher eleita à Academia Francesa de Letras em 1980, após uma campanha e apoio activos de Jean d'Ormesson, que escreveu o discurso de sua admissão.
Foi educada de forma privada e de maneira excepcional: lia Jean Racine com oito anos de idade, e seu pai ensinou-lhe o latim aos oito anos e grego aos doze.

Descendente de uma família de origem aristocrata, não chegou a conhecer a mãe, que morreu poucos dias após o seu nascimento. Educada pelo pai, estuda línguas - latim, grego, italiano e inglês - e viaja em sua companhia durante grande parte da infância.

Começa a escrever ainda na juventude, tendo publicado seu primeiro livro, O Jardim das Quimeras, aos 17 anos. Em 1924, numa de suas viagens pela Itália, conhece em Tivoli a villa Adriana e inicia o primeiro caderno de notas para o livro Memórias de Adriano (1951), até hoje sua 
obra mais conhecida.


Com o início da Segunda Guerra Mundial, Yourcenar fixa residência nos Estados Unidos; em 1947, naturaliza-se cidadã norte-americana. Em 1971, torna-se membro estrangeiro da Academia Belga de Língua e Literatura. Nove anos depois, seria a primeira mulher eleita para a Academia Francesa.

Marguerite Yourcenar morreu em 1987, nos EUA. Entre seus outros livros de ficção e ensaio, podem-se mencionar A Obra em Negro (1968), O Labirinto do Mundo (1974-77), Mishima ou A Visão do Vazio (1981) e O Tempo, Esse Grande Escultor (1983).





Obras:



  • O Jardim das Quimeras (Le jardin des chimères) (1921) ;
  • Alexis ou o tratado do vão combate (Alexis ou le traité du vain combat) (1929, romance) ;
  • La nouvelle Eurydice (1931, romance) ;
  • Fogos (Feux) (1936, poemas em prosa) ;
  • Contos orientais (Nouvelles orientales) (1938) ;
  • Les songes et les sorts (1938) ;
  • Le coup de grâce (1939, romance) ;
  • Memórias de Adriano (Mémoires d'Hadrien) (1951) ;
  • Électre ou La chute des masques (1954) ;
  • A Obra ao Negro (L'Œuvre au noir) (1968) ;
  • Souvenirs pieux (1974) ;
  • O Labirinto do Mundo (1974-77);
  • Arquivos do Norte (Archives du Nord) (1977);
  • Mishima ou A Visão do Vazio (1981);
  • O Tempo, Esse Grande Escultor (1983);
  • D'Hadrien à Zénon : correspondance, 1951-1956 (2004), Paris : Gallimard. 630 p. Texto compilado e comentado por Colette Gaudin e Rémy Poignault ; com a colaboração de Joseph Brami e Maurice Delcroix ; edição coordenada por Élyane Dezon-Jones e Michèle Sarde ; pref. de Josyane Savigneau.
  • -A Fuga de Wang - Fô - não é uma obra, mas sim um texto.
  • Peregrina e estrangeira (1989)

Frases:

"A amizade é , acima de tudo, certeza – é isso que a distingue do amor."


"Os defeitos são por vezes os melhores adversários que podemos opor aos vícios."


"Ninguém ainda sabe se tudo apenas vive para morrer ou se morre para renascer."


"Deus é o pintor do universo... Que pena (...) que Deus não se tivesse dedicado à pintura de paisagens."


"Nada há de mais sujo do que o amor-próprio."

"Não é difícil alimentar pensamentos admiráveis quando as estrelas estão presentes."



"A sabedoria é a forma mais dura e mais condensada do ardor, a parcela de ouro nascida do fogo e não da cinza."


"A felicidade é uma obra-prima: o menor erro falseia-a, a menor hesitação altera-a, a menor falta de delicadeza desfeia-a, a menor palermice embrutece-a"


"A paixão cheia de inocência é quase tão frágil como qualquer outra."


"Há mais do que uma sabedoria, e todas elas são necessárias ao mundo; não é mau que elas se vão alternando."


"Creio que quase sempre é preciso um golpe de loucura para se construir um destino."


"Muitas vezes, a alma parece-me apenas uma simples respiração do corpo."


"A filosofia epicuréia, esse leito estreito, mas limpo."


"Quando se gosta da vida, gosta-se do passado, porque ele é o presente tal como sobreviveu na memória humana."


"Sempre tive a impressão de que a música fosse apenas o extravasamento de um grande silêncio."


"Consideramo-nos puros enquanto desprezarmos aquilo que não desejamos."


"Consideramo-nos puros enquanto desprezarmos aquilo que não desejamos."


"O nosso maior erro consiste em tentarmos colher de cada pessoa em particular as virtudes que elas não têm, e de nos esquecermos de cultivar as que de fato são suas."


"A morte surgia-lhe como uma consagração de que só os mais puros são dignos: muitos homens desfazem-se, poucos morrem."


"A felicidade é provavelmente uma infelicidade que se suporta melhor."

"O nosso verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar de inteligência sobre nós próprios."


"Todo prazer sentido com gosto parece-me casto"


"Quanto amargor fermenta-se no fundo da doçura, quanto desespero esconde-se na abnegação e quanto ódio mistura-se ao amor."



"Corpo, meu velho companheiro, nós pereceremos juntos.
Como não te amar, forma a quem me assemelho,
se é nos teus braços que abarco o universo."

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Louise Labé







  • Pequena biografia

Louise Labé, (c. 1520 ou 1522, Lyon - 25 de abril de 1566, Parcieux), também conhecida como La Belle Cordière, (O ropemaker Bonito), foi uma poetiza francesa do período Renascentista, nascida em Lyon, a filha de Pierre Charly, e sua segunda esposa, Etiennette Roybet. Um livro recente argumentou que a poesia atribuída a ela foi uma criação feminista de uma série de poetas franceses do sexo masculino da Renascença. Seu pai e sua madrasta Antoinette Taillard (a quem Pierre Charly casou após a morte de Etiennette Roybet em 1523) eram analfabetos, mas Labé recebeu uma formação em latim, italiano e música, em um colégio de freiras., ou em um torneio , ela disse ter vestido com roupas do sexo masculino e lutava a cavalo nas fileiras do Dauphin, depois Henry II.

Entre 1543 e 1545 ela se casou com Ennemond Perrin, um ropemaker. Lyon era o centro cultural da França na primeira metade do século XVI [1] e ela tornou-se ativo em um círculo de poetas Lyonnais e humanistas agrupados em torno da figura de Maurice Scève. Sua Œuvres foram impressas em 1555, pelo renomado impressão Lyonnais Jean de Tournes.
Além de seus próprios escritos, o volume continha 24 poemas em sua homenagem, de autoria de seus contemporâneos do sexo masculino e com direito de mergulhadores Escriz poetes, a la louenge de Louize Labe Lionnoize.
Os autores destes poemas de louvor (dos quais nem todos podem ser identificados de forma confiável) incluem Maurice Scève, Pontus de Tyard, Claude de Taillemont, Clement Marot, Olivier de Magny, Jean-Antoine de Baif, Mellin de Saint-Gelais, Antoine du Moulin e Antoine fumée.
O poeta Olivier de Magny, em sua Odes de 1559, elogiou Labé como sua amada, e a partir do século XIX, críticos literários especularam que Magny era, na verdade amante de Labé. No entanto, o amado masculino em sua poesia nunca é identificado pelo nome, e pode muito bem representar uma ficção poética, em vez de uma pessoa histórica.Em 1564, a peste irrompeu em Lyon, tirando a vida de alguns dos amigos de Labé. Em 1565, sofrendo-se de má saúde, ela se retirou para a casa de seu amigo Thomas Fortin, um banqueiro de Florença, que testemunhou a sua vontade (um documento que é sobrevivente).Ela morreu em 1566, e foi sepultada em sua propriedade próximo Paris.

  • Obras


Sua Œuvres incluem duas obras em prosa: um prefácio feminista, incitando as mulheres a escrever, que é dedicado a uma jovem nobre de Lyon, Bourges Clemence; e uma alegoria dramática em prosa intitulada Debat de Folie et d'Amour (Debate de folia e amor ), que se baseia emErasmus "elogio da Loucura.
Sua poesia é composto por três elegias no estilo do Heroides de Ovídio, e 24 sonetos que se baseiam em tradições do neoplatonismo e Petrarchismo.
O Debate, o mais popular de suas obras no século XVI, inspirou uma das fábulas de Jean de La Fontaine. Os sonetos, notáveis ​​por seu erotismo franco, foram seus trabalhos mais famosos seguintes início do período moderno.
  • Conexão debatido com "la Belle Cordière"

De 1584, o nome de Louise Labé tornou-se associado com uma cortesã chamada "la BelleCordière" (descrita pela primeira vez por Philibert de Vienne, em 1547, a associação com Labé foi solidificada por Antoine Du Verdier em 1585).Esta cortesã era uma figura colorida e controversa durante a sua vida . Em 1557 uma canção popular sobre o comportamento escandaloso de La Cordière foi publicado em Lyon,Jean Calvin e 1560 se referiam a ela e chamou-lhe um meretrix Plebeia ou prostituta comum.Debate sobre se ou não Labé era ou não uma cortesã começou no século XVI, e tem continuado até os dias atuais. No entanto, nas últimas décadas, os críticos têm focado cada vez maior atenção em suas obras literárias.


Belos olhos que fingem não me ver
Mornos suspiros, lágrimas jorradas
Tantas noite em vão desperdiçadas
Tantos dias que em vão vi renascer;
Queixas febris, vontades obstinadas
Tempo perdido, penas sem dizer,
Mil mortes me aguardando em mil ciladas
Que o destino me armou por me perder.
Risos, fronte, cabelos, mãos e dedos
Viola, alaúde, voz que diz segredos
À fêmea em cujo peito a chama nasce!
E quanto mais me queima, mas lamento
Que desse fogo que arde tão violento
Nem uma só fagulha te alcançasse.
(Tradução de Sérgio Duarte)
Ô beaux yeux bruns, ô regards détournés,
Ô chauds soupirs, ô larmes épandues,
Ô noires nuits vainement attendues,
Ô jours luisants vainement retournée !
Ô tristes plaints, ô désirs obstiné,
Ô temps perdu, ô peines dépendues,
Ô milles morts en mille rets tendues,
Ô pires maux contre moi destiné !
Ô ris, ô front, cheveux bras mains et doigts !
Ô luth plaintif, viole, archet et voix !
Tant de flambeaux pour ardre une femelle !
De toi me plains, que tant de feux portant,
En tant d’endroits d’iceux mon coeur tâtant,
N’en ai sur toi volé quelque étincelle.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Falsidade

Escrever sobre falsidade é algo bem chato para mim. Mas às vezes é necessário. Principalmente quando uma pessoa que você super considerava se mostra falsa, e parte dos seus sonhos se perdem com isso. Minha inocência e ingenuidade sempre vão embora quando algo do tipo acontece. Mas não, não acho isso uma coisa boa. Pois fico mais seca, mais amarga, mais intolerante e impaciente. Muito ao contrário do que antes era doce, gentil, compreensiva e tudo mais...

É super ruim você esperar muito de uma pessoa e a mesma se mostrar mesquinha, medíocre.

As pessoas sempre nos decepcionam, isso é fato. Primeiro porque ninguém é perfeito, e segundo porque sempre esperamos a perfeição das pessoas (e claro, nunca encontramos isso).

Tudo bem que não existe perfeição, mas não é por isso também que você vai sair por aí dando cacetada e coice  em todo mundo. E nem coisa pior...

Coisa pior que eu digo, é o título desta postagem: falsidade. Às vezes as pessoas se mostram tão legais e bacanas... E elas podem até realmente ser. Mas na primeira oportunidade mostram para que vieram. Mostram que a humanidade é a tentativa mais FAIL de algo que era para ser perfeito.

Quando se trata de falsidade, não tende para um gênero (sexo) mais do que o outro, não. Depende de cada indivíduo (elemento) mesmo. Tem homem, tem mulher, tem homossexual, tem lésbica, tem simpatizante... Qualquer um pode sofrer do mau do ser humano. O de ser imperfeito e injusto.


A falsidade é uma característica típica da nossa raça. A deslealdade. Os seres humanos podem ser muito bons e gentis... Mas tem uma força maior que o impulsa a fazer o mau, serem cruéis... Fazer o bem as satisfaz, mas não por completo. Fazer o mau completa. Talvez seja este o significado do Diagrama do Taiji... Este símbolo tão bonito e tão enigmático.