sábado, 22 de outubro de 2011

Marguerite Yourcenar

08/06/1903, em Bruxelas (Bélgica)
17/12/1987, Bar Harbor (EUA)



Marguerite Yourcenar nasceu em 1903, em Bruxelas (Bélgica). Yourcenar é um anagrama imperfeito de seu sobrenome verdadeiro: Crayencour.

Foi a primeira mulher eleita à Academia Francesa de Letras em 1980, após uma campanha e apoio activos de Jean d'Ormesson, que escreveu o discurso de sua admissão.
Foi educada de forma privada e de maneira excepcional: lia Jean Racine com oito anos de idade, e seu pai ensinou-lhe o latim aos oito anos e grego aos doze.

Descendente de uma família de origem aristocrata, não chegou a conhecer a mãe, que morreu poucos dias após o seu nascimento. Educada pelo pai, estuda línguas - latim, grego, italiano e inglês - e viaja em sua companhia durante grande parte da infância.

Começa a escrever ainda na juventude, tendo publicado seu primeiro livro, O Jardim das Quimeras, aos 17 anos. Em 1924, numa de suas viagens pela Itália, conhece em Tivoli a villa Adriana e inicia o primeiro caderno de notas para o livro Memórias de Adriano (1951), até hoje sua 
obra mais conhecida.


Com o início da Segunda Guerra Mundial, Yourcenar fixa residência nos Estados Unidos; em 1947, naturaliza-se cidadã norte-americana. Em 1971, torna-se membro estrangeiro da Academia Belga de Língua e Literatura. Nove anos depois, seria a primeira mulher eleita para a Academia Francesa.

Marguerite Yourcenar morreu em 1987, nos EUA. Entre seus outros livros de ficção e ensaio, podem-se mencionar A Obra em Negro (1968), O Labirinto do Mundo (1974-77), Mishima ou A Visão do Vazio (1981) e O Tempo, Esse Grande Escultor (1983).





Obras:



  • O Jardim das Quimeras (Le jardin des chimères) (1921) ;
  • Alexis ou o tratado do vão combate (Alexis ou le traité du vain combat) (1929, romance) ;
  • La nouvelle Eurydice (1931, romance) ;
  • Fogos (Feux) (1936, poemas em prosa) ;
  • Contos orientais (Nouvelles orientales) (1938) ;
  • Les songes et les sorts (1938) ;
  • Le coup de grâce (1939, romance) ;
  • Memórias de Adriano (Mémoires d'Hadrien) (1951) ;
  • Électre ou La chute des masques (1954) ;
  • A Obra ao Negro (L'Œuvre au noir) (1968) ;
  • Souvenirs pieux (1974) ;
  • O Labirinto do Mundo (1974-77);
  • Arquivos do Norte (Archives du Nord) (1977);
  • Mishima ou A Visão do Vazio (1981);
  • O Tempo, Esse Grande Escultor (1983);
  • D'Hadrien à Zénon : correspondance, 1951-1956 (2004), Paris : Gallimard. 630 p. Texto compilado e comentado por Colette Gaudin e Rémy Poignault ; com a colaboração de Joseph Brami e Maurice Delcroix ; edição coordenada por Élyane Dezon-Jones e Michèle Sarde ; pref. de Josyane Savigneau.
  • -A Fuga de Wang - Fô - não é uma obra, mas sim um texto.
  • Peregrina e estrangeira (1989)

Frases:

"A amizade é , acima de tudo, certeza – é isso que a distingue do amor."


"Os defeitos são por vezes os melhores adversários que podemos opor aos vícios."


"Ninguém ainda sabe se tudo apenas vive para morrer ou se morre para renascer."


"Deus é o pintor do universo... Que pena (...) que Deus não se tivesse dedicado à pintura de paisagens."


"Nada há de mais sujo do que o amor-próprio."

"Não é difícil alimentar pensamentos admiráveis quando as estrelas estão presentes."



"A sabedoria é a forma mais dura e mais condensada do ardor, a parcela de ouro nascida do fogo e não da cinza."


"A felicidade é uma obra-prima: o menor erro falseia-a, a menor hesitação altera-a, a menor falta de delicadeza desfeia-a, a menor palermice embrutece-a"


"A paixão cheia de inocência é quase tão frágil como qualquer outra."


"Há mais do que uma sabedoria, e todas elas são necessárias ao mundo; não é mau que elas se vão alternando."


"Creio que quase sempre é preciso um golpe de loucura para se construir um destino."


"Muitas vezes, a alma parece-me apenas uma simples respiração do corpo."


"A filosofia epicuréia, esse leito estreito, mas limpo."


"Quando se gosta da vida, gosta-se do passado, porque ele é o presente tal como sobreviveu na memória humana."


"Sempre tive a impressão de que a música fosse apenas o extravasamento de um grande silêncio."


"Consideramo-nos puros enquanto desprezarmos aquilo que não desejamos."


"Consideramo-nos puros enquanto desprezarmos aquilo que não desejamos."


"O nosso maior erro consiste em tentarmos colher de cada pessoa em particular as virtudes que elas não têm, e de nos esquecermos de cultivar as que de fato são suas."


"A morte surgia-lhe como uma consagração de que só os mais puros são dignos: muitos homens desfazem-se, poucos morrem."


"A felicidade é provavelmente uma infelicidade que se suporta melhor."

"O nosso verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar de inteligência sobre nós próprios."


"Todo prazer sentido com gosto parece-me casto"


"Quanto amargor fermenta-se no fundo da doçura, quanto desespero esconde-se na abnegação e quanto ódio mistura-se ao amor."



"Corpo, meu velho companheiro, nós pereceremos juntos.
Como não te amar, forma a quem me assemelho,
se é nos teus braços que abarco o universo."

Um comentário:

  1. Li A Obra em Negro e considerei um admirável livro. Pretendo ler outros.

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